Rio, 02 (AE) - A CPI do Narcotráfico do Espírito Santo vai chamar para depor o traficante José Sanches de Oliveira Júnior, o Juninho, que seria um dos principais elos de ligação da quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, no Estado. Juninho, que já foi considerado um dos maiores traficantes do Estado, foi preso em fevereiro desse ano no Rio. Ele cumpre pena de 10 anos e oito meses na Casa de Detenção de Vila Velha pela morte de dois policiais militares.
"Queremos saber como era o esquema de lavagem de dinheiro no Espírito Santo montado pelo grupo de Beira-Mar e que tinha como um dos cabeças o Juninho", afirmou o presidente da CPI, deputado Gumercindo Vinand (PSDB). Segundo as investigações da Polícia Federal, o traficante capixaba enviava semanalmente cocaína para Vitória pela BR-101.
Vinand disse ainda que a comissão já pediu à Caixa Econômica Federal o nome do gerente da agência de Alfredo Chaves, no sul do Estado, onde Beira-Mar teria 16 contas em nomes de laranjas. "Nossa idéia é também chamá-lo para depor", explicou. Entre os laranjas, figura Elizabete da Silva Lira, uma das cinco mulheres do traficante, responsável pela integração nacional dos integrantes da organização criminosa, que atuaria em 16 Estados.
Na terça-feira, três integrantes da CPI do Narcotráfico da Câmara, liderados pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE), estarão em Vitória para investigar o envolvimento de políticos, empresários e membros do Poder Judiciário com o crime organizado
a contravenção e o narcotráfico.
"Nós vamos investigar todas as denúncias apuradas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal", afirmou o deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), um dos integrantes do grupo que irá à capital capixaba. Biscaia explicou que a comissão não descarta a possilidade de convocar para depor políticos do Estado. Ele preferiu não citar nomes, demonstrando um recuo em relação à semana passada, quando afirmou que a CPI já tinha decidido pela convocação do presidente da Assembléia Legislativa capixaba, José Carlos Gratz (PFL). Gratz reagiu com veemência e afirmou que não deporia.

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