CPI diz ter provas do envolvimento de deputado capixaba no crime
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo (enviado especial) 
Vitória, 07 (AE) - O deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da CPI do Narcotráfico, disse hoje não ter mais dúvidas do envolvimento do presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz, com o crime organizado e a contravenção no estado. Segundo Biscaia, Gratz é o representante no poder legislativo de uma rede de influência política que impede as investigações de crimes no Espírito Santo. Biscaia disse ainda que essa rede tem uma conexão com o Poder Judiciário, na qual, na maioria das vezes, esses crimes são arquivados e os autores, absolvidos.
"Contra o deputado Gratz, temos não só informações testemunhais como também documentos que provam o envolvimento dele em casos de corrupção e contravenção", disse Biscaia, um dos integrantes de um grupo de três deputados da CPI que chegou hoje de manhã a Vitória. As informações do deputado estão no relatório sobre o crime organizado preparado pelo delegado FransicoVicente Badenes, chefe da Assessoria de Inteligência da Polícia Civil durante o governo de Vitor Buaiz.
Badenes depôs hoje em caráter reservado durante duas horas e meia na sede da Superintendência da Polícia Federal do Estado, quando apresentou aos deputados o relatório que fez sobre o crime organizado no Espírito Santo. O documento surgiu depois da investigação sobre o desaparecimento do advogado Carlos Batista de Freitas, dado como morto em 1992. Pelo crime, foram indiciadas catorze pessoas, entre elas o ex-prefeito do município da Serra (na Grande Vitória) Aldalto Martinelli.
Segundo o relatório, as máfias capixabas criaram uma espécie de fórmula jurídica para garantir a impunidade dos criminosos. O delegado explicou aos deputados que o esquema funciona principalmente nos casos de assassinatos sob encomenda, cuja investigação é sempre levada para a mesma conclusão: latrocínio (assalto seguido de morte).
Os deputados, no entanto, não encontraram provas concretas no relatório contra o ministro da Defesa, Élcio álvares, que é cidado por Badenes como um dos líderes do crime organizado no Espírito Santo. "Sobre o envolvimento do ministro, nós temos apenas indícios", disse Biscaia. Segundo ele, a única relação do ministro com integrantes da suposta máfia capixaba é sua participação no escritório do advogado Dório Antunes, que já defendeu vários integrantes do crime organizado no Estado.
Depois do depoimento de Badenes, a CPI ouviu o procurador-geral da República no Espírito Santo, Ronaldo Albo, que apresentou o resultado de uma investigação sobre o envolvimento de políticos, juízes, desembargadores e policiais com grupos de extermínio, narcotráfico e contravenção. "O crime organizado se institucionalizou no Estado", afirmou Albo, antes de entrar na sala de depoimentos. "Os grupos de extermínio agem para acobertar as máfias capixabas", disse.
A CPI ouvirá amanhã (08), no Palácio Anchieta, sede do governo capixaba, o deputado Grazz e o vice-prefeito de Cariacica, Jesus Vaz, que acusou o prefeito do município, Dejair Cabo Camata, de ter tramado o atentado que ele sofreu no ano passado. Camata também é um dos citados no relatório Badenes como integrante do crime organizado. Ex-banqueiro assumido do bicho, Gratz, que deve ser chamado pela CPI do Narcotráfico para depor, já respondeu a inquéritos por contravenção, contrabando, homicídio e formação de quadrilha.


