Brasília, 24 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos poderá quebrar o sigilo bancário, telefônico e fiscal do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes na próxima segunda-feira, após seu depoimento. "Há um requerimento nesse sentido sobre a mesa da Comissão, que poderá ser votada na segunda-feira", disse hoje a senadora Emília Fernandes (PDT-RS).
"É provável que isso aconteça", concordou o senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), para quem a quebra de sigilo poderá ser estendida aos irmãos Sérgio e Luiz Augusto Bragança. "Há fortes indícios que justificariam tal pedido", disse.
Ele afirmou, porém, que "não há intenção de prejulgar ninguém." Emília Fernandes disse já ter examinado 80% da documentação enviada ao Senado, e que em alguns deles - inclusive datados deste ano - Lopes teria utilizado como seu endereço pessoal o da consultoria Macrométrica.
Segundo a senadora, o endereço da consultoria consta de um recibo de passagem aérea em nome de Lopes, entre outros documentos. Este seria mais um indício de que Lopes continuou ligado à consultoria mesmo após haver assumido cargos no Banco Central.
A senadora se queixou de que vários documentos apreendidos e listados pelos procuradores não chegaram ao Senado. É o caso, por exemplo, de uma tal "pasta Bahamas" e uma tal "pasta Panamá". Ambos são conhecidos paraísos fiscais no Caribe, utilizados por empresas que querem escapar da tributação no Brasil.
Entre os papéis à disposição para análise dos senadores, não há também nenhum extrato bancário, nem a agenda telefônica de Lopes e um conjunto de recibos sem discriminação de valor e de beneficiado. "Os procuradores tiraram o filé e deixaram só o osso para os senadores", queixou-se a senadora.
O presidente da CPI, Bello Parga (PFL-MA), disse que os documentos em poder da CPI são aqueles cujo envio foi autorizado pela Justiça. Emília Fernandes observou que, provavelmente, os papéis não chegaram porque a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro, não autorizou a quebra do sigilo judicial de todos os documentos apreendidos.
Emília Fernandes chegou hoje por volta das 10h30 ao Senado, para examinar os documentos. Parga disse que os papéis ficariam à disposição dos senadores interessados durante o final-de-semana.
Ontem (23) foi definido que nenhuma cópia de documento seria fornecida aos senadores, para evitar vazamentos. A senadora disse que já havia examinado 80% dos documentos, e não havia encontrado nada a respeito do envio dos R$ 17 milhões do banco Marka para o exterior. Ela também não encontrou nada que ligasse a Macrométrica ao Marka.
O senador Arruda chegou ao Senado por volta das 11h30 para examinar documentos. "Até agora, não vi nada de relevante contra o professor Chico Lopes", disse. A única coisa estranha, segundo Arruda, foi a ausência de uma declaração de renda.Por Lu Aiko Otta e Vânia Cristino ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca acrescenta informação, no 7º parágrafo.

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