Brasília, 27 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico vai votar amanhã (28) a convocação do ministro da Aeronáutica, Walter Werner Brauer, e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos principais acusados de tráfico no avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em operação em que a Polícia Federal encontrou 32,9 quilos em escala no Recife, na semana passada. Em depoimento aos parlamentares da CPI, o ministro-chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Alberto Cardoso, defendeu hoje uma solução rápida para o caso. "Quanto menos tempo durar a elucidação, melhor", disse o general.
A convocação do ministro da Aeronáutica já é dada como certa pelos parlamentares da CPI do Narcotráfico, que não se contentaram com as informações que levantaram junto ao governo. Há deputados que defendem reunião secreta com os militares para ter acesso a todas as informações do Inquérito Policial Militar conduzido pelo Ministério da Aeronáutica.
Os parlamentares querem convocar para depor e ainda quebrar o sigilo do tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira, que teria levado a cocaína para o avião, e que está preso no Recife. Os parlamentares devem votar ainda amanhã também a quebra do sigilo do coronel Washington Vieira da Silva, acusado de envolvimento no caso. Os parlamentares pretendem votar ainda a quebra de sigilo da colombiana Lila Mirtha Lopes e do americano John Michael White, supostos planejadores do envio de droga para o exterior.
O general Alberto Cardoso deixou claro que o presidente Fernando Henrique Cardoso espera uma resposta rápida à sociedade brasileira, por envolver um dos braços das Forças Armadas, que é a Aeronáutica. "Este problema requer de nós o mais rigoroso e severo acompanhamento", disse o general, "este é o pensamento do chefe do Executivo", afirmou. Alberto Cardoso acredita que o ministro da Aeronática irá depor na CPI do Narcotráfico para prestar todas as informações possíveis aos parlamentares. Perguntado por um deputado se os militares que estavam traficando drogas não teriam feito outras operações em aviões da FAB, o general afirmou que tudo leva a crer que não se trata de uma rede de contrabando em aviões do governo.
O oficial informou aos parlamentares que o avião da FAB tinha como missão oficial buscar na França as peças de um avião mirage do Brasil que estava sendo consertado. A escala técnica para abastecimento estava prevista nas Ilhas Canárias, no Atlântico. disse que a apreensão de drogas no avião da FAB não vai alterar a rotina da segurança dos aviões da FAB que o presidente Fernando Henrique Cardoso utiliza em suas viagens. "A segurança do presidente é rigorosa e continua a mesma", disse. Conversa - Os parlamentares da CPI do Narcotráfico acabaram conversando bastante com o general Alberto Cardoso, que se mostrou receptivo a todas as perguntas. A alguns parlamentares, o general deu respostas irônicas. Perguntado se as Forças Armadas não ajudariam a Polícia Federal em ações de combate ao narcotráfico, o general afirmou que a ajuda se restringirá à área de inteligência. "Cada macaco no seu galho", disse.
Ao explicar os motivos que levaram o governo a criar a Secretaria Nacional Antidrogas, o general Alberto Cardoso afirmou que o governo tinha constatado que o narcotráfico vinha crescendo numa proporção superior à capacidade do Estado em enfrentar o problema. Segundo o general, cerca de 90% dos crimes nas grandes metrópoles estão de alguma forma ligados às drogas. Alberto Cardoso disse ainda que é cada vez mais crescente o número de crianças entre 8 e 12 anos que consomem drogas.
Alberto Cardoso disse ainda que a fronteira brasileira, em alguns locais, ainda representa uma ameaça à soberania nacional. Durante o depoimento, o general afirmou que o governo estuda uma "compensação financeira" para os agricultores do chamado "polígono da maconha", no sertão nordestino. O general disse ainda que ganha força dentro do governo a idéia de se construir presídios federais. Disse que uma das preocupações do governo brasileiro é com "a desenvoltura", em território brasileiro, de alguns órgãos estrangeiros de inteligência. Ele afirmou que a prioridade número um da área de inteligência é "o capitalista da droga".

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