CPI deve convocar Badan para explicar movimentação bancária
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Gilse Guedes 
Brasília, 10 (AE) - O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), integrante da CPI do Narcotráfico, protocolou hoje um pedido para que o médico-legista Fortunato Badan Palhares seja ouvido novamente para dar informações sobre sua movimentação bancária. A CPI quer explicações de Badan, autor do laudo sobre a morte do empresário Paulo César Farias que hoje é contestado pelo Ministério Público, a respeito das transações bancárias no período de 1995 a 1999. De acordo com um levantamento que ainda está em curso, Badan Palhares movimentou em apenas quatro contas bancárias pelo menos R$ 2,7 milhões.
Pompeo de Mattos apresentou, ainda, um requerimento determinando a quebra de sigilo bancário do Instituto de Patologia, de propriedade de Badan. "A suspeita é de que o médico-legista produzia falsos laudos encomendados e esse volume de recursos pode comprovar nossa tese", disse o parlamentar.
Em estudo preliminar, a CPI também identificou que as movimentações bancárias do empresário Wiliam Sozza, suspeito de integrar uma quadrilha de tráfico de drogas, são, em média, dez vezes superiores às declarações de renda entregues à Receita Federal, segundo revelou Pompeo de Mattos. As declarações de renda, em média, ficam em torno de R$ 12 mil, de acordo com o parlamentar.
Quadrilhas - Os dados sobre a conta de Badan levantados até agora limitam-se a saques e transferências efetuados pelo médico-legista. Segundo ele, o médico-legista não deve estar diretamente envolvido ao narcotráfico, mas acabou contribuindo para o crime organizado na medida em que integrantes de quadrilha precisaram de seus serviços profissionais. "Ele pode ter contribuído para quadrilhas de narcotraficantes, que, muitas vezes, precisam de laudos para ganharem um respaldo legal."
Na fundamentação para o pedido de quebra de sigilo bancário do Instituto de Patologia, Mattos argumenta que há registros de várias transferências da conta bancária de Badan para a de sua empresa, ambas no banco Itaú. A CPI do Narcotráfico também revelou que há registros de um depósito em cheque no valor de R$ 2 mil para o advogado Arthur Eugênio Mathias, de Campinas (SP), que está preso e é acusado de pertencer a uma quadrilha de roubo de cargas de caminhões. O advogado é suspeito ainda de integrar a quadrilha de William Sozza, que está foragido desde o ano passado.
Na avaliação de Pompeo de Mattos, o depósito na conta de Mathias pode ser uma "casualidade", mas precisa ser checado. "Isso não é o mais importante, porque eu não acredito que Badan esteja diretamente ligado ao narcotráfico". "O que eu penso é que ele realmente produzia laudos, que podem sido feitos para criminosos."
Depoimento - O pedido de indiciamento de Badan Palhares deve ser votado na próxima semana, no início dos trabalhos da nova legislatura. Hoje, um grupo de parlamentares ouviu o deputado Wanderley Martins (PDT-RJ), que integra a CPI e é suspeito de ter ligações com o narcotráfico. Ele negou que tenha negócios com o traficante Walter Gomes de Carvalho Filho, o Valtinho, e com o doleiro Elias Kanaan. Na próxima semana, os deputados que ouviram Martins entregarão um relatório e pedirão que seja feito um levantamento pela Receita Federal das declarações de renda do deputado pedetista.


