Brasília, 26 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado determinou, na noite de ontem (25), que a Polícia Federal (PF) faça uma acareação entre a chefe do Departamento de Fiscalização do Banco Central (BC), Teresa Cristina Grossi Togni, o ex-diretor de Fiscalização da instituição Cláudio Mauch e o ex-presidente do Banco FonteCindam
Luiz Antônio Gonçalves. A acareação foi pedida pelo relator da CPI, João Alberto Souza (PMDB-MA). "Os depoimentos deles sobre as negociações do Banco Central com os Bancos Marka e FonteCindam não batem", disse Souza.
No depoimento à PF e à CPI, Mauch disse que não participou diretamente das negociações com os dois bancos. Tereza informou, nos depoimentos, que foi Mauch quem coordenou as negociações. Gonçalves informou à CPI que conversou por telefone com Mauch e com o ex-presidente do BC Francisco Lopes sobre a proposta de o FonteCindam de compra de dólares no mercado futuro. Souza quer esclarecer quem estava no comando das negociações de ajuda ao Marka e ao FonteCindam, que custou cerca de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.
Ontem à noite, durante reunião de trabalho reservada, Souza informou aos demais integrantes da CPI que será muito difícil cumprir o prazo para a entrega do relatório parcial sobre o Marka e o FonteCindam, marcado para segunda-feira (31). O principal motivo para o atraso é porque as informações pedidas pela CPI a vários órgãos governamentais ainda não chegaram.
"Talvez eu precise de mais dois ou três dias, mas não será mais do que isso", disse hoje o relator. Amanhã (27) à tarde, o relator da CPI fará uma visita à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para discutir eventuais irregularidades cometidas na emissão de debêntures. Souza disse ter recebido no gabinete dois representantes da CVM para discutir o assunto, mas afirmou que não gostou da conversa. "A CPI pediu informações sobre todas as emissões de debêntures desde 1995 e eles disseram que a relação teria 300 mil páginas", afirmou o relator. "Por isso, nós vamos lá verificar pessoalmente esta questão." A visita de Souza à CVM será feita junto com o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ).

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