CPI descobre que milhões de hectares foram obtidos ilegalmente
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes (especial para a AE) 
Belém, 10 (AE) - Investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia do Pará que apura grilagem de terras e falsificação de documentos de propriedade em cartórios descobriu que 21 milhões de hectares - o equivalente à soma da área de países como Espanha, Portugal, Bélgica e Alemanha - foram obtidos de maneira irregular no Estado. A CPI deve concluir o trabalho no dia 19.
Segundo o presidente da CPI, deputado Nadir Neves (PL), mais de 10 milhões de hectares de terras do Estado e da União estariam em poder de um homem chamado Carlos Medeiros, que, para autoridades do governo paraense, nunca existiu. Sozinho, esse "fantasma" seria dono de áreas que, somadas, correspondem aos Estados de Alagoas, Paraíba e Sergipe. "Vamos sugerir ao governo medidas para coibir esse atentado contra o patrimônio público", adiantou Neves.
Ele explicou que a CPI foi criada inicialmente para apurar denúncias contra a empresa C.R. Almeida, do empreiteiro Cecílio do Rego Almeida, mas ampliou o trabalho. Almeida comprou 4,772 milhões de hectares em Altamira, no Oeste do Estado. Ele sustenta que fez a aquisição do Estado, legalmente, num leilão. O governo do Pará alega que a compra foi feita mediante documentos fraudulentos obtidos no cartório Moreira, de Altamira.
Para o relator da CPI, Cláudio Almeida (PDT), há fatos "muito graves" descobertos durante as investigações. "A grilagem de terras está comprovada", afirmou. Ele contou que, desde o início do trabalho da CPI, vem recebendo ameaças anônimas de morte. "Não sei de quem se trata, mas, com certeza, é gente incomodada com o que está sendo descoberto."


