CPI descobre cemitério clandestino no Acre
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Edson Luiz (enviado especial) 
Rio Branco, 01 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico e a Polícia Federal localizaram hoje um cemitério clandestino no Acre, onde haviam pelo menos nove corpos de pessoas assassinadas. Esta é a prova principal conseguida pela CPI para provar a existência de um esquadrão da morte no Estado, supostamente integrado por policiais militares. No local foram encontradas restos de cartulhos de arma calibre 45, de uso privativo de militares. A CPI pediu a prisão preventiva de quatro PMs, entre eles um sargento ligado ao deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC).
A existência de um cemitério foi revelada por uma testemunha ouvida pela CPI do Narcotráfico em Brasília, há alguns dias. A PF ficou quatro dias investigando uma área de aproximadamente 50 metros quadrados, onde foram encontrados, até agora, nove corpos. Hoje, legistas do Instituto Médico Legal (IML) do Acre começaram uma escavação no local - uma área pertencente ao Colégio Agrícola de Rio Branco - para tentar localizar outros cadáveres.
De difícil acesso, o cemitério clandestino estava localizado em meio a um bambuzal dentro da floresta, para onde foram levadas as vítimas do esquadrão da morte. "Há alguns indícios de que haviam até pessoas com um poder aquisitivo elevado", afirmou o presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES). "A arcada dentária encontrada em um dos corpos mostra que os dentes da vítima eram perfeitos e até implantados".
Segundo a deputada Lúcia Carneiro (PFL-RJ), o cemitério clandestino, localizado a 30 quilômetros de Rio Branco, pode ser um dos três que a CPI estava tentando localizar. "Uma testemunha nos falou deste local, mas existem outros dois, provavelmente", afirmou Lucia Carneiro. Um deles está próximo ao rio Iquiry e outro em uma fazenda no município de Porto Acre, a 60 quilômetros de Rio Branco.
Para o relator da CPI, Moroni Torgan (PSDB-CE), as cápsulas calibre 45 encontradas dentro das covas mostra que os matadores podem ser militares. As vítimas supostamente foram mortas no próprio local, para onde foram levadas até durante o dia, já que não existem moradores nas proximidades. Em poucos minutos de escavações, hoje à tarde, agentes da PF encontraram três crânios
arcadas dentárias e pedaços de ossos.
Hoje, a CPI do Narcotráfico pediu a prisão preventiva de quatro PMs, todos acusados de pertencerem ao esquadrão da morte, e supostamente ligados ao deputado Hildebrando Pascoal. Três foram levados para o Comando Geral da Pm, outro estava sendo procurado pela PF e o sargento Alex, ligado a Pascoal, iria depor no final da noite e poderia também ser preso.
Os deputados da CPI do narcotráfico retornam amanhã (02)a Brasília, depois de quatro dias de interrogatórios no Acre. Um dos últimos depoimentos tomados foram de testemunhas secretas, que confirmaram diversas informações já levantadas pelos parlamentares. Todas elas serão colocadas no Programa de Proteção à Testemunhas do Ministério da Justiça.


