Brasília, 22 (AE) - A apenas 21 sessões do término de seus trabalhos, em 17 de maio, a CPI dos Medicamentos resolveu concentrar a apuração em seis grandes temas: preços/superfaturamento, genéricos, distribuidoras/falsificações/roubos de carga, produção de laboratórios públicos, legislação e política industrial. Só agora, também, a CPI passará a contar com um número suficiente e especializado de assessores para analisar uma série de documentos, principalmente relativos à quebra de sigilo fiscal e bancário de 21 laboratórios.
Alguns deputados estão solicitando a contratação de auditoria especializada para ajudar na análise da documentação. O presidente da CPI, deputado Nelson Marchezan (PSDB/RS), disse que desde a implantação da comissão, em novembro do ano passado, havia assessores trabalhando com o relator, Ney Lopes (PFL-RN). Eles não conseguiram atender a demanda. Há cerca de um mês sete pessoas, da própria Câmara, do Banco Central e da Comissão Mista de Orçamento foram integradas ao trabalho. "Vou requisitar mais oito do Banco Central", disse Marchezan.
O presidente da CPI acabou abrindo mão, também, da defesa de audiências públicas. A maioria dos parlamentares optou por restringir as convocações a casos em que os documentos comprovem a importância do depoimento.
Depoimento - Assessoria é fundamental, até porque chegam novas informações a cada momento. Hoje o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) informou que pedirá a quebra do sigilo bancário e fiscal da distribuidora Santa Cruz, com sede em São Paulo. Em depoimento à CPI, o presidente da entidade, Gilberto Maia Filho, disse que a empresa faturou, no ano passado, R$ 1,1 bilhão, mas não pagou imposto, alegando prejuízo. "É uma aberração; quando qualquer assalariado paga imposto na fonte, rico não paga imposto, afirmou Chinaglia. Maia Filho diz, no entanto, que o prejuízo decorreu do grande número de impostos federais e estaduais e de investimentos em segurança da carga. "Só para constituir nossa própria segurança, gastamos R$ 3 milhões no ano passado", afirmou o representante da distribuidora.

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