CPI de SP vai investigar denúncias em Santos
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Vanderlei França 
São Paulo, 07 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa de São Paulo que investigará o narcotráfico no Estado vai apurar as ações do crime organizado na cidade de Santos. Os trabalhos de campo vão começar em fevereiro. A comissão vai querer saber como funciona o esquema de desvio de cargas e contêineres no município. Os deputados também vão colher informações sobre a participação de policiais e trabalhadores ligados ao porto nas ações do crime organizado.
Segundo dados da Ouvidoria da Polícia, Santos é o município que tem o maior número de denúncias envolvendo policiais com o narcotráfico e roubo de cargas no Estado, excluindo os municípios da Grande São Paulo. Todas essas denúncias serão encaminhadas à CPI.
A maior parte dos casos de roubo de contêineres não é registrada, já que as empresas preferem não procurar a polícia, temendo desgaste da imagem.
O presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo, Vanderlei Macris (PSDB), afirmou hoje que os deputados vão a Santos porque há suspeitas do envolvimento de autoridades públicas com o narcotráfico. Macris disse que o ponto de partida das investigações serão as denúncias feitas contra policiais na Ouvidoria. "Vamos pedir o mapa que a Ouvidoria está fazendo com denúncias contra os membros das polícias Civil e Militar."
O líder do PTB na Assembléia, Campos Machado, afirmou que a CPI deve dar atenção especial à cidade de Santos. Segundo ele, já há denúncias de que o crime organizado atua na cidade."Temos de esclarecer o que está acontecendo na cidade."
Instalação - A Assembléia Legislativa ainda não definiu quem serão os membros da CPI e quantas relatorias vão existir. Alguns partidos indicaram nomes hoje, mas PT, PFL, PTB e PC do B ainda não apresentaram os deputados que vão compor a comissão.
Hoje, os líderes dos partidos tentaram fechar acordo sobre os nomes que vão compor a presidência e as sub-relatorias da comissão. Na proposta apresentada, PT, PSDB, PMD e PTB assumiriam uma sub-relatoria. A presidência da comissão ficaria com o deputado Dimas Ramalho, do PPS.
O presidente da Assembléia afirmou que a intenção é colocar a CPI em funcionamento a partir da próxima terça-feira. Macris disse que durante o recesso parlamentar os deputados vão traçar estratégias de atuação para combater o narcotráfico. "Serão mais de 30 dias para definir depoimentos, ações e medidas que serão adotadas no combate ao narcotráfico."


