CPI das Orgias começa com divergências entre vereadores
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quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Recém-instalada na Câmara de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o suposto envolvimento de autoridades em orgias com adolescentes já começou a provocar confusão entre os vereadores. Ontem, os parlamentares de oposição apresentaram um requerimento pedindo a anulação das nomeações feitas pela presidência da Câmara. Eles arguiram a suspeição de dois integrantes: os vereadores Joarez Boturi de Oliveira (PSDB) e Lourival Antonio Netzel (PSL).
Segundo o vereador Eduardo Luiz Andrade (PSB), membro da CPI, os dois defenderam em pronunciamento na Câmara pessoas que supostamente estariam envolvidas nas festinhas que aconteciam semanalmente em uma chácara da localidade do Morro Vermelho. As adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos, faziam strip-tease e dançavam em troca de dinheiro e comida. Muitas vezes elas eram obrigadas a manter relações sexuais com os convidados em público. ''Não acho que eles tenham lisura suficiente para investigar o caso. Não estou julgando os vereadores com antecedência. Só acho que defender ou acusar nesse momento é precipitado'', disse ele.
Andrade é o único representante da oposição na CPI das Orgias. Em depoimentos dados à Polícia Civil e ao Ministério Público (MP), as adolescentes citaram os nomes de três vereadores, um assessor da Prefeitura, empresários, comerciantes, um magistrado e policiais civis. Procurado pela Folha, o vereador Joarez Boturi Oliveira que preside a CPI das Orgias negou que tenha feito qualquer juízo de valor sobre a veracidade dos fatos noticiados pela imprensa. ''Não quero acreditar que tenha colegas meus envolvidos nesse escândalo que está deixando todos na cidade estarrecidos. Mas não vou agir com corporativismo. Vou atuar com rigor na defesa do interesse público'', anunciou. Netzel não foi encontrado para comentar o assunto.
O inquérito sobre o caso é presidido desde segunda-feira pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), Carlos Hoffmann. Ele tem 30 dias para terminar as investigações.


