CPI dá ultimato ao BC no caso Marka/FonteCindam
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segunda-feira, 14 de junho de 1999
Por CLáUDIA CARNEIRO e JOSÉ RAMOS 
Brasília, 15 (AE) - Incomodados com a falta de provas que possam condenar a operação executada pelo Banco Central para socorrer os bancos Marka e FonteCindam, na desvalorização do real, ou as pessoas que de alguma forma foram envolvidas no episódio, integrantes da CPI do Sistema Financeiro reagiram com voracidade contra o BC. Em uma reunião fechada, a CPI decidiu dar um ultimato ao BC, ao qual atribuem a demora no envio dos dados da quebra de sigilo bancário. Os senadores deram um prazo até as 17h de amanhã (16) para que o presidente do BC, Armínio Fraga, ou o diretor de Fiscalização, Luiz Carlos Alvarez, entregue os documentos que faltam sobre o sigilo, além das informações sobre o Proer (o programa oficial que socorreu bancos).
Está marcado para amanhã às 17h o depoimento do representante do grupo inglês HSBC, Michael Francis Georghegan, para explicar a compra do Banco Bamerindus pela instituição, ocorrida sob o amparo do Proer.
Armínio Fraga foi contactado durante a reunião pelo presidente da CPI, Bello Parga (PFL-MA), e pelos senadores Fernando Bezerra (PMDB-RN), líder do governo no Senado, e Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), responsável pelo exame do sigilo bancário. O presidente do BC mostrou-se surpreso com a notícia de que a totalidade das informações sigilosas relativas à diretoria do BC que participou da negociação de socorro ao dois bancos não havia chegado à CPI.
"O que chegou dos documentos de origem sobre a movimentação bancária foi ínfimo", declarou Siqueira. "Há um boicote evidente contra a CPI; nunca uma comissão teve tanta dificuldade para receber dados solicitados", afirmou um influente senador que integra a CPI, numa acusação ao Banco Central. Registros do BC, no entanto, demonstram que foram enviados à CPI, dos dias 5 de maio a 11 de junho, 15 ofícios com dados da quebra de sigilo bancário do ex-presidente do BC Francisco Lopes, seu assessor na Diretoria de Política Monetária, Alexandre Pundek, além de documentos da Macrométrica e seus sócios Sérgio Luiz Brangança e Luiz Augusto Bragança, amigos de Lopes.
Outros cinco ofícios foram remetidos à comissão sobre o sigilo bancário do então diretor de Assuntos Internacionais Demósthenes Madureira e o ex-diretor diretor de Fiscalização Cláudio Mauch. O diretor Luiz Carlos Alvarez comparecerá hoje à CPI para atender À convocação com apenas parte dos dados solicitados sobre o sigilo bancário, sob a alegação de que está havendo demora dos outros bancos em enviar as informações. Alvarez apresentará todas as informações sobre o Proer, que hoje já estavam quase concluídas.
Relatório apresentado hoje pela senadora Emília Fernandes (PDT-RS) sobre a análise do sigilo telefônico aponta 145 telefonemas do celular de Francisco Lopes para o telefone da Macrométrica entre maio de 1998 e maio de 1999, inclusive uma ligação realizada no dia 11 de janeiro, às 13h54. A ligação durou 14 segundos. Naquela dia, o governo decidiu mudar a política cambial, o que foi selado em jantar com o presidente Fernando Henrique Cardoso, do qual participou Francisco Lopes. Há também dezenas de telefonemas da Macrométrica para os telefones de Francisco Lopes.
A CPI decidiu hoje marcar para agosto o depoimento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, do presidente do BC, e dos ex-presidentes da instituição Gustavo Loyola, Gustavo Franco e Francisco Lopes. Também na reunião, a CPI aprovou um calendário sobre os outros depoimentos relativos ao Proer, às investigações sobre o empréstimo do Banco do Brasil à construtora Encol. No dia 17 de junho haverá audiência com o ex-superintendente do BB em Brasília Manoel Pinto, para falar sobre as relações do banco com a Encol.
Para o dia 22, ficou marcado o depoimento do síndico da massa falida da Encol e do presidente da empresa, Pedro Paulo de Souza
caso a Polícia Federal consiga localizá-lo. No dia 23 serão ouvidos o ex-presidente da Previ Jair Bilacchi e o ex-diretor financeiro do BB Carlos Gilberto Caetano e o ex-diretor de Crédito e Seguridade Edson Soares Ferreira. Nos dias 28,29 e 30 de junho, a CPI discutirá o Proer, com audiência dos presidentes do antigo Banco Nacional e do Unibanco; do Econômico/Excel/Bilbao Viscaia; do Banco Pontual.


