CPI da Terra envia cartilhas do MST para o Ministério Público
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A CPI da Terra, instalada pela Assembléia Legislativa do Paraná, vai encaminhar na próxima segunda-feira para o Ministério Público (MP) federal sete cartilhas elaboradas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e que seriam usadas para formação de grupos especializados em invasões de terras produtivas. Entre os pontos mais polêmicos das cartilhas estão depoimentos de lideranças ensinando como ocupar fazendas e como enfrentar a polícia. As cartilhas são redigidas em português e em espanhol. Nos textos, aparecem ainda orientações políticas.
O deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), relator da CPI da Terra, disse que em alguns trechos, as cartilhas ensinam ideologias socialistas e dizem que ''quando 169 milhões de brasileiros quiserem o socialismo, não terá jeito, a reforma agrária será feita nem que seja pela força''. ''Estamos encaminhando para o MP porque essas cartilhas ferem a Lei de Segurança Nacional. Está incentivando a luta armada, a guerrilha no campo'', considera o parlamentar.
As cartilhas foram elaboradas entre 1999 e 2002. Ontem, foi ouvido secretamente o depoimento do ex-sem-terra João Maia. Ele teria feito revelações importantes para CPI. Mas ninguém quis falar sobre o assunto. Maia teme represálias por parte das lideranças estaduais do MST, grupo do qual ele teria sido expulso há alguns meses.
Também foi ouvido o depoimento do administrador da Fazenda São Bernardo, em Manoel Ribas, Nelson Luiz de Lacerda. Ele contou que a área foi invadida em maio do ano passado e desde então tem mandado de reintegração de posse. Entretanto, o mandado até hoje não foi cumprido. ''Os fatos narrados são preocupantes'', apontou o deputado estadual Élio Rusch (PFL), presidente da CPI, que deverá comandar diligências pela região.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou ontem que recebeu o pedido de reintegração de posse, mas não cumpriu por ser área passível de conflito. A estratégia tem sido tentar a desocupação pacífica. Para segunda-feira, está previsto o depoimento de Darci Frigo, diretor executivo da ONG Terra de Direitos. Representantes do MST foram procurados para falar sobre o assunto, mas não foram encontrados no final da tarde de ontem.


