Rio, 12 (AE) - A CPI da Publicidade da Assembléia Legislativa do Rio decidiu hoje pedir à Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-secretário da Fazenda do Estado Marco Aurélio Alencar, filho do ex-governador Marcello Alencar (PSDB). A proposta, apresentada pela deputada Cidinha Campos (PDT), foi aprovada por 6 votos a 1. Segundo o relator, deputado Edson Albertassi (PSB), a partir da quarta-feira da próxima semana a CPI vai promover acareações entre os depoentes para tentar dirimir contradições entre os depoimentos.
A comissão apura supostas irregularidades envolvendo agências de propaganda que atendiam ao governo fluminense durante a administração passada e foi estimulada pelo presidente da Casa, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e pelo governador Anthony Garotinho (PDT). Ela foi aberta para investigar a contratação pelo governo passado de cinco agências, que teriam sido obrigadas a subcontratar a A2CM, de Duda Mendonça, por suposta pressão de Marco Aurélio, sob a justificativa de necessidade de uniformizar o discurso da administração do Estado.
A empresa de Mendonça recebeu R$ 6,2 milhões das agências que atendiam ao governo e em 1998 assessorou o candidato tucano a governador, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, por apenas R$ 300 mil. Esse valor, considerado baixo (em outras campanhas estaduais, Mendonça cobrou de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões), levou deputados que integram a CPI a suspeitar de um suposto desvio de verbas oficiais para a campanha do PSDB.
Depoimento - Marco Aurélio negou hoje, em depoimento na CPI, qualquer envolvimento nas supostas irregularidades, que incluiriam ainda superfaturamento nos preços e retaliações a uma agência, a Cult, que teria se negado a assinar a subcontratação da A2CM. O ex-secretário ironizou as acusações de que dinheiro teria sido desviado, por intermédio da propaganda, do Estado para o PSDB. Segundo Marco Aurélio, o maior problema da campanha de Luiz Paulo Corrêa da Rocha era a falta de dinheiro.

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