CPI da Nicéa é apoiada por 101 governistas17/Mar, 19:02 Por Gilse Guedes Brasília, 17 (AE) - Um total de 101 deputados do PPB, PSDB, PFL, PMDB e PTB assinou o projeto da oposição que determina a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara Federal para investigar as denúncias feitas pela primeira-dama do município de São Paulo, Nicéa Pitta, ex-mulher do prefeito Celso Pitta (PTN). Eles contrariaram a orientação dos líderes da base governista. A oposição conseguiu reunir 226 assinaturas, 55 a mais do que o necessário para a apresentação da proposta, ontem (16) à noite. A expectativa dos partidos de esquerda é que o plenário da Câmara vote o projeto e um requerimento para a tramitação ocorrer em regime de urgência na próxima semana. Um grupo de cinco parlamentares do PPB, partido do ex-prefeito Paulo Maluf e legenda que abrigava há pouco tempo Celso Pitta, subscreveu o projeto. Os dois são os principais alvos das acusações feitas por Nicéa. O líder do PT na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), disse que foi preciso "trabalhar em silêncio" para conseguir o apoio de 226 deputados. "Não quisemos fazer estardalhaço para impedir a manobra governista, mas não sentimos nenhuma influência das lideranças na base", afirmou o petista. Os líderes que apóiam o presidente consideram que a atribuição para a apuração do caso é da Câmara Municipal de São Paulo e não da dos Deputados. A oposição terá de vencer ainda dois obstáculos: conseguir mais 31 apoiadores do projeto para que ele tramite em regime de urgência e anular a estratégia da base governista de derrotar a proposta em votação no plenário. O líder do PDT na Câmara dos Deputados, Miro Teixeira (RJ), admitiu que, depois de vencidas as duas próximas etapas, será, mesmo assim, difícil investigar o caso, principalmente porque há clara "conivência do governo federal" nas irregularidades apontadas por Nicéa. "Não existiria Pitta sem o governo federal", declarou Miro Teixeira. "A Prefeitura de São Paulo não poderia lidar com um volume de recursos de forma irregular sem a omissão e participação indireta da União", completou. Mercadante lembrou que um dos objetivos da comissão é apurar a concessão, por parte do Banco do Brasil (BB), em dezembro de 1997, de um empréstimo de R$ 324 milhões à Prefeitura, apesar de a CPI dos Precatórios do Senado ter denunciado um esquema inconstitucional e ilegal de emissão de títulos públicos. De acordo com o projeto, a Prefeitura devia ao BB, em 1997, cerca de R$ 5 bilhões. Segundo Mercadante, o assassinato do camelô Gilberto Monteiro da Silva, morto a tiros ontem, em São Paulo, é um sinal de que os "corruptores" querem "intimidar" aqueles interessados em apurar o caso. "Em Brasília, na Câmara, que sempre se mostrou ousada nas investigações de graves acusações, há mais possibilidade de haver uma CPI que chegue aos culpados", disse o petista. O camelô foi uma das principais testemunhas no processo que cassou o então deputado estadual Hanna Garib (SP), acusado de receber propina para liberar o trabalho de ambulantes.

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