Brasília, 09 (AE) - De 1992 até 1998, a maior parte do dinheiro desviado pela Incal e Ikal das obras do fórum trabalhista de São Paulo foi repassada para empresas do grupo Monteiro de Barros e não para o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Estado Nicolau dos Santos Neto, que encabeçava o esquema de corrupção, de acordo com a apuração feita nos bancos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado. "Eles capitalizaram o grupo com o dinheiro público", afirmou um senador da comissão, com base nas informações parciais recebidas até agora. Os repasses para as empresas foram suspensos em 1998.
No período, só no Banco Cidade, a duas empreiteiras depositaram US$ 12 milhões para a Recreio Agropecuária e Participações. Dados parciais proporcionados pela quebra do sigilo das duas empresas nas contas dos Bancos Itaú, Safra, Cidade e do Brasil (BB) mostram que a Monteiro de Barros Construção e Incorporação recebeu 323 cheques, totalizando US$ 10,14 milhões. Os depósitos de 59 cheques que favoreceram a Monteiro de Barros Empreendimentos Imobiliários somam, por enquanto, US$ 2,33 milhões. Já na conta pessoal do dono da Incal e Ikal, Fábio Monteiro de Barros Filho, foram detectados depósitos de cerca de US$ 900 mil.
O senador lembrou que a movimentação financeira dessas empreiteiras é feita em mais de 30 bancos e que, portanto, os valores constatados até agora devem ser menores do que a metade do ocorrido. A CPI apurou ainda que houve farta distribuição de recursos recebidos pela Incal e Ikal para a corretora Split, acusada pela CPI dos Precatórios de movimentar títulos irregulares, e às empresas do Grupo OK, do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Foram repassados para a Split, em 74 cheques, US$ 2 04 milhões. Já Estevão recebeu das empreiteiras US$ 9,72 milhões
em depósitos feitos à Moradia Enpreendimentos Imobiliários, Saenco, Pneus OK e Itália Veículos.
De acordo com as informações fornecidas à CPI pelo ex-genro de Santos Neto, Marco Aurélio Gil de Oliveira, o juiz tem uma coleção de carros importados, na qual figuram marcas como Porsche, Mercedez, BMW e Cherokee. A CPI sabe ainda que ele possui um apartamento de US$ 1 milhão em Miami, duas mansões no Guarujá, Baixada Santista (SP), e em São Paulo, onde está confinado, proibido de deixar o País.

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