CPI confirma suspeita de intimidação de policiais
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Eduardo Kattah, especial para a AE 
Belo Horizonte, 04 (AE) - Para os membros da CPI mineira do Narcotráfico, os primeiros depoimentos dos delegados que trabalharam no inquérito realizado na cidade de Montes Claros em 1987, e que apurava o envolvimento do empresário Paulo César Santiago com o tráfico de drogas, confirmaram as suspeitas de que os policiais, que na época conduziam o caso, sofreram pressões ou foram transferidos para que o processo, embora remetido à Justiça, acabasse por ser arquivado sob a alegação de falta de provas materiais.
Hoje, depuseram os delegados José Luiz Ribeiro, Otacílio Lima, Aluísio Couto e Castelar de Carvalho Leite.
A CPI desconfiava que os policiais tinham sido intimidados ou removidos de suas funções por influência de Paulo César Santiago junto a autoridades do Estado. Segundo o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL), todos foram unânimes ao dizer que a conclusão do inquérito apontava para o envolvimento de Paulo César com o narcotráfico.
O empresário é irmão do deputado estadual Arlen Santiago (PTB)
acusado de envolvimento com o traficante Luiz Fernando da Costa
o Fernandinho Beira-Mar. Outro irmão do deputado, Pedro Norberto Mota Santiago, de acordo com os membros da CPI, foi muito citado nos depoimentos e também há fortes suspeitas quanto ao seu envolvimento.
O delegado José Luiz Ribeiro, o primeiro a depor, disse que não recebeu nenhuma explicação quando foi transferido de suas funções em Montes Claros. Otacílio de Lima - que na época conduziu o inquérito e hoje está aposentado - disse ter estranhado o arquivamento do processo Outra conclusão a que a CPI chegou, com base nos depoimentos, é a de que o delegado regional de Montes Claros na época, Helber Machado Cordeiro, dificultou os trabalhos dos policiais.
"Houve uma ingerência dele no sentido contrário das investigações", disse Rodrigues. O delegado, que hoje é o titular da regional em Juiz de Fora já foi convocado a depor e a CPI pediu a quebra do seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, bem como da sua evolução patrimonial. "Ficou claro que ele queria proteger o Paulo César de qualquer forma", disse Rodrigues.
Quinta-feira, a CPI deverá ouvir o delegado Aluísio Malta, que foi substituído por Helber durante o inquérito.


