Brasília, 10 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado divulgou hoje novas informações comprovando que Alexandre Mendonça, um dos administradores da herança do menor Luiz Gustavo Nominato, recebeu dinheiro do espólio, participando do processo de dilapidação dos recursos. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Octávio Gallotti concedeu liminar para impedir o depoimento do vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal, Asdrúbal Zola Vasquez Cruxên, marcado para hoje, na CPI.
Ficou comprovado, com a quebra do sigilo dos administradores do espólio, que Mendonça, assessor e amigo dele, recebeu dinheiro da herança. A comissão apurou que um cheque nominal de valor elevado, emitido por um dos administradores do espólio, foi depositado na conta dele.
A descoberta fez com que os senadores decidissem pela quebra do sigilo bancário e fiscal dele, a exemplo do que tinham feito com Cruxên.
Não bastasse a informação sobre o cheque, a CPI descobriu que Mendonça, cujo vencimento mensal é calculado em cerca de R$ 6 mil, incluídas as gratificações, possui patrimônio incompatível com a renda. Ele é técnico do Judiciário, lotado no gabinete de Cruxên, onde atua como homem de confiança do desembargador. Estão em nome dele uma elegante mansão no Lago Norte de Brasília, parte nobre da cidade, e dois apartamentos no Plano Piloto. O técnico possui ainda dois carros importados, um Audi e um Córdoba, além de um Gol.
Mendonça foi procurado, por telefone, no gabinete de Cruxên, mas se recusou a falar. Outros funcionários que atendiam ao chamado, limitavam-se a informar que ele estava com o desembargador.
De acordo com o inquérito policial, ele teria patrocinado a dilapidação da herança avaliada em R$ 30 milhões. Hoje, Luiz Gustavo é devedor de cerca de US$ 4 milhões em impostos e encargos trabalhistas, uma vez que os administradores dos bens dele venderam parte do patrimônio, desobrigando os compradores de arcar com os encargos e outras despesas existentes.

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