Brasília, 13 (AE) - Apesar de ter contabilizado mais de mil denúncias contra o Poder Judiciário, a Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar essas irregularidades inicia amanhã (14) seus trabalhos priorizando os cinco pontos apresentados pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no requerimento da CPI. Entre esses pontos, o primeiro a ser apurado será o da construção do edifício do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, uma obra suspeita de superfaturamento.
O relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA), deverá sugerir em seu roteiro de trabalho a visita de uma comissão de senadores para conhecer de perto as obras inacabadas do prédio do TRT em São Paulo, que já consumiu R$ 230 milhões. A CPI também irá convocar o representante da Incal Incorporações S/A, construtora responsável pelo prédio, e dos ex-presidentes do TRT
os juízes Nicolau dos Santos Neto e José Victório Moro, que aprovaram o contrato do edifício. Segundo um relatório do Tribunal de Contas da União que está sendo analisado pela CPI, o contrato fechado pelo TRT com a construtora é caracterizado pelo seu aspecto anti-econômico.
Souto deverá pedir inclusive a requisição para exame da escritura de compra e venda entre a Incal Incorporações S/A e o TRT de São Paulo. Segundo o TCU a "aquisição de um imóvel a ser construído" foi "sui generis", até porque o preço de venda de imóveis prontos chega a ser 300% superior ao preço de uma construção. "Temos que começar os trabalhos de uma CPI com fatos inquestionáveis", avaliou o senador José Agripino Maia (PFL-RN), um dos integrantes da CPI. "Iniciar uma CPI em terreno movediço desestimula os trabalhos", justificou Maia. Segundo ele, só numa segunda fase as outras mil denúncias serão apuradas.
No início da noite, um grupo de senadores integrantes da CPI visitou o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello. "Nossa visita ao presidente da mais alta corte do País tem como simbolismo a certeza de que a CPI tem como objetivo fortalecer o Judiciário", explicou o vice-presidente da CPI, senador Carlos Wilson.
Além dele, participaram do encontro o presidente da comissão
senador Ramez Tebet e o relator Paulo Souto. Segundo Carlos Wilson, a CPI deverá ter um "caráter itinerante", com visita feita aos Estados onde existem denúncias de irregularidades.

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