CPI cobrará da Anatel agilidade no fornecimento de informações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 05 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico poderá notificar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que as empresas de telefonia tenham mais agilidade no fornecimento de informações à polícia, segundo informou hoje o deputado Paulo Balthazar (PSB-RJ), integrante da comissão. "As autoridades policiais do Estado que tiveram contato conosco disseram que a lentidão no repasse de dados estaria prejudicando as investigações sobre o narcotráfico", disse.
A morosidade no repasse de informações constará do relatório sobre a visita ao Rio de Janeiro que está sendo preparado pelos deputados. "Estará no item providências a serem tomadas", disse a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), relatora da CPI da parte referente ao Rio. Segundo ela, o problema foi debatido no encontro que os parlamentares tiveram na quinta-feira com o governador Anthony Garotinho.
"Antes das privatizações, informações previamente autorizadas referentes a contas e dados cadastrais eram repassadas imediatamente", disse a deputada. "Mas, agora, parece que os policiais estão tendo dificuldades de obter dados, especialmente no que se refere aos celulares pré-pagos." Outra dificuldade, de acordo com Paulo Balthazar, seria no caso de gravações autorizadas judicialmente de ligações telefônicas. "É importante que as estruturas do poder facilitem o trabalho, não se omitam."
Outro problema que constará do relatório é o rastreamento das armas que entram no Estado. Segundo informações apuradas pelos deputados, 85% das armas usadas no narcotráfico são nacionais. "Elas são vendidas legalmente, mas, depois, vão para o Paraguai e o Uruguai, voltam para o País e acabam no narcotráfico", explicou Balthazar. "Pretendemos ir ao Rio Grande do Sul, onde fica a maioria das fábricas de armas, para tentar rastrear o problema."
Os deputados já sabem que boa parte das armas é comprada por uma única pessoa, no Paraguai. "Se não houver nada de ilegal por parte das empresas brasileiras, precisamos então propor a criação de mecanismos que impeçam essa triangulação." O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) chegará em Campinas antes de seus companheiros de CPI, na próxima semana. Ele pretende fazer investigações prévias sobre o crime organizado na cidade. Mattos acredita que possa haver uma ligação entre a morte do governador do Acre, Edmundo Pinto, ocorrida em 1992, no Hotel della Volpe, em São Paulo, e o braço de Campinas da quadrilha do deputado cassado Hildebrando Paschoal.
Depois de passar por Campinas, os integrantes da CPI voltam ao Rio de Janeiro para ouvir pessoas suspeitas de envolvimento com o crime organizado. "O passo seguinte é irmos ao Espírito Santo, onde o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tem diversos imóveis adquiridos com o dinheiro do narcotráfico", contou Mattos.


