CPI cobra responsabilidade da BM&F no socorro aos bancos
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Adriana Fernandes e Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 06 (AE) - Os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos cobraram hoje, ao final do depoimento dos seis dirigentes da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), a co-responsabilidade da instituição na operação do Banco Central (BC) que socorreu os bancos Marka e FonteCindam. Essa cobrança foi rejeitada pelo presidente da BM&F, Manoel Félix Cintra Neto.
"A BM&F só ofereceu informações, alertou para o risco sistêmico, mas não pediu socorro. A verdade é que a decisão é exclusivamente do BC", afirmou Cintra Neto ao deixar a sala da CPI, depois de cerca de seis horas de depoimento. Minutos antes, o relator da CPI, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), afirmara que a BM&F também tem responsabilidade pelas duas operações. O relator também criticou a postura dos dirigentes da instituição durante o depoimento, de tranferir toda a responsabilidade para o BC.
"A BM&F disse que o BC é responsável por tudo", ironizou o relator. "A contradição é generalizada, inclusive entre os próprios dirigentes da BM&F", disse o relator, referindo-se "a reclamações percebidas por ele entre alguns diretores da Bolsa durante o depoimento.
O relator esperou para o final do depoimento para questionar os dirigentes da BM&F se tinham conhecimento de que as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), que foram dadas como garantias pelo banco Marka, não pertenciam ao banco. Sem revelar detalhes e alegando sigilo bancário, João Alberto disse que recebeu informações de que as LFTs eram, na verdade, títulos "alugados" pelo Marka. O superitendente-geral da BM&F, Edemir Pinto, disse que desconhecia o fato.
Os títulos públicos federais representavam 95% das garantias do banco Marka e 90% do banco FonteCindam e foram motivo de indignação dos senadores durante todo o depoimento. O senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) disse que as garantias, por serem títulos públicos de imediata liquidez, não eram "frágeis" e, portanto, poderiam ser perfeitamente executadas, sem afetar o mercado financeiro. "Não eram garantias de tamboretes, eram títulos federais", afirmou Jáder, que foi o autor do requerimento para a criação da CPI. "As garantias mostram que não havia necessidade da intervenção do BC", criticou o senador.


