CPI cobra amanhã de Covas afastamento de policiais acusados
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Vera Freire 
São Paulo, 11, (AE) - Os integrantes da CPI do Narcotráfico vão cobrar amanhã do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), o afastamento dos policiais paulistas acusados de envolvimento com corrupção, além de mais rigor nas apurações das denúncias porque o trabalho da corregedoria da polícia tem se mostrado ineficiente. Convencidos da existência de uma banda podre na polícia de São Paulo, os parlamentares pedirão uma ação "mais concreta" do governador. "Em todos os Estados que passamos, os policiais foram afastados, aqui, não aconteceu nada", afirmou o deputado Moroni Torgan (PSDB-CE). "Existem falhas sérias na corregedoria ou um certo corporativismo."
A afirmação do Torgan foi feita minutos após o depoimento do delegado seccional de Campinas, Djahy Tucci, no qual ficou evidente que, após cinco meses da passagem da CPI pelo município, nenhum dos 22 policiais acusados de envolvimento com o narcotráfico foi punido ou afastado das funções. Os 15 policiais denunciados pelo informante que utiliza o codinome de Laércio da Cunha, durante a passagem da CPI pelo Rio de Janeiro, também estão trabalhando. Vamos pedir o afastamento dos policiais", afirmou Torgan, acrescentando que a medida já poderia ter sido adotada pelo secretário da Segurança, Marco Vinício Petrelluzzi. "Não precisa de corregedoria para afastar", afirmou.
"O governador é um homem honesto e não vai pagar esse mico de ficar defendendo esses policiais", afirmou o deputado Pompeu de Mattos (PDT). Mattos e Torgan estão convencidos da existência de uma banda podre na polícia paulista. Por este motivo, vão apresentar ao governador a proposta da criação de uma carreira de corregedor nas polícias, para aumentar a eficiência nas apurações das denúncias de corrupção. A proposta prevê que o policial preste o exame de ingresso na corporação e depois opte por integrar os quadros da corregedoria, função que exercerá até o fim da carreira. "Não tenho dúvida da existência de uma banda podre", disse Mattos. "Mas para combatê-la não se pode apenas ficar transferindo os policiais, como está ocorrendo aqui."
O primeiro dia dos trabalhos da CPI começou com uma hora e meia de atraso e logo no primeiro depoimento, o do Seccional de Campinas, os deputados ficaram bastante irritados com a falta de providência. O delegadoTucci, no cargo há três meses, não soube explicar as providências que tinham sido tomadas em relação ao policiais ligados ao narcotráfico em Campinas.
Entregou aos parlamentares uma relação contendo 39 nomes de policiais que estão sendo investigados na Seccional e não apenas os 22 acusados na CPI. Muitas denúncias são relativas ao ano de 1996. Os parlamentares perderam a calma quando foram informados que o delegado da Delegacia de Investigações de Entorpecentes (Dise) de Campinas, Ricardo de Lima, está de licença média. A CPI havia apurado que o delegado teria facilitado, em 1999, a fuga da traficante Sônia Aparecida Rossi, conhecida como Maria do Pó. Ela foi presa na semana passada pela Polícia Federal e irá prestar depoimento à CPI.
Outro motivo de irritação foi a informação prestada pelo Seccional de que o investigador Antonio Lázaro Constâncio, o Lazinho, está trabalhando no Departamento de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Depatri), na capital. Entre os 15 policiais denunciados pelo ex-informante da polícia paulista, Laércio da Cunha, 9 pertencem ao Depatri e hoje serão ouvidos pela CPI e ficarão frente a frente com o denunciante. Ao ser questionado pela deputada Laura Carneiro (PFL-RJ) sobre o motivo pelo qual o traficante Willian Sozza ainda não foi preso pela polícia de Campinas, o Seccional Tucci respondeu: "A polícia não prendeu porque não sabe onde ele está."
Às 18h30, a CPI começou a ouvir o depoimento de uma testemunha, que foi chamada pelos deputados de Senhor X. Encapuzado, de óculos escuros e enrolado em um lençol, o Senhor X denunciou pelo menos três policiais de alta patente da PM do Pará por tráfico de armas e de cocaína, segundo informou o deputado Cabo Júlio (PL-MG), integrante da CPI.
A testemunha confirmou que pacotes de cocaína passavam até pela mesa do comandante do batalhão, no período de 1997 e 1998. O Senhor X morou no batalhão durante três anos porque presenciou um homicídio e estava jurado de morte. Seu depoimento ocorreu a portas fechas, no auditório Teotônio Vilela da Assembléia. Parlamentares disseram que ele também denunciaria políticos e empresários por participação no tráfico internacional de drogas, além de conexões com o Suriname, São Paulo e Rio de Janeiro.


