CPI busca participação de funcionários de bancos na lavagem de dinheiro
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domingo, 14 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 14 (AE) - A CPI do Narcotráfico está tentando identificar um esquema que envolve funcionários de juntas comerciais, institutos de identificação e bancos que estariam facilitando a criação de empresas e movimentação de recursos para lavagem de dinheiro no País, Além disso, os parlamentares irão cruzar uma lista de casas de câmbio e bancos que mais aparecem nas transações ilegais, para tentar identificar funcionários da cúpula do sistema financeiro nacional que estariam "facilitando" a lavagem. O caminho da CPI é o inverso do caminho do crime organizado. Enquanto os criminosos criam milhares de empresas de fachada e "laranjas" para lavar dinheiro, a CPI quer chegar ao "topo", ou seja, a um ponto de confluência de todas estas operações ilegais, identificando instituições e pessoas envolvidas na maioria das transações financeiras.
A iniciativa em investigar juntas comerciais e instituições federais é porque o crime organizado está criando empresas em nomes de mortos para lavar dinheiro no Brasil e as primeiras investigações mostram que todo o esquema nacional seria quase todo "interligado", exigindo a identificação dos cabeças. As primeiras provas que estão sendo levantadas pela CPI do Narcotráfico mostram que o esquema criou ainda empresas em nome de pessoas existentes sem que estas soubessem e de pessoas fictícias.
O deputado Robson Tuma (PFL-SP), que deve retornar amanhã (15) para Campinas, está checando uma lista de mais de cem casas de câmbio envolvidas na lavagem de dinheiro no País para tentar rastrear o percurso da legalização do dinheiro do narcotráfico.
Robson Tuma acredita que grande parte dos documentos encontrados na casa do empresário Willian Sozza, em Campinas, ainda não tenha sido utilizada para criar novas empresas. Eram documentos que ainda seriam usados pelo esquema, mas podem fornecer uma pista de funcionários da área de identificação da polícia, que poderiam estar ajudando o crime organizado.
Alguns empresários utilizam o esquema de lavagem para legalizar dinheiro que sonegam, o chamado "caixa dois". Outros empresários e pessoas ligadas ao crime organizado utilizam o esquema para lavar o dinheiro que recebem de narcotraficantes e contrabandistas de armas. O esquema de lavagem de dinheiro também utiliza o recurso de se criar várias empresas de pequeno porte para "diluir" o dinheiro do narcotráfico sem chamar a atenção. Até então, as investigações de vários serviços de inteligência no mundo apontavam a realização de várias operações de baixo valor para não chamar a atenção. Robson Tuma disse que grande parte destas empresas fictícias funciona no mesmo endereço. "São tantas empresas que eles têm até dificuldade de inventar tanto endereço."
Robson Tuma disse ser quase impossível enumerar os "fantasmas" e as empresas que o esquema de lavagem de dinheiro teria criado no Brasil. O parlamentar, no entanto, já está chegando à conclusão de que os nomes dos bancos que aparecem em alguns esquemas nos Estados são sempre os mesmos. Ele prefere não dizer nomes para não atrapalhar as investigações. A CPI já está pedindo uma série de quebras de sigilos bancários e fiscais envolvendo casas de câmbio e pessoas envolvidas nos esquemas.
Bicho - O procurador Luiz Francisco de Souza, do Ministério Público do Distrito Federal, vai prestar depoimento esta semana à Comissão de Assuntos Sociais do Senado, onde vai sugerir a criação de uma CPI específica para a lavagem de dinheiro, bingos e loterias. O procurador disse estar convencido de que os bingos e as loterias estejam sendo utilizados pelo narcotráfico para lavar dinheiro ilegal.
O procurador disse que vai levantar novos indícios do envolvimento da máfia italiana com os bingos brasileiros, objeto de um ação que já impetrou na Justiça Federal. "A lavagem de dinheiro é o combustível do crime organizado", disse o procurador. "É a gasolina que faz o carro andar."


