CPI busca em Campinas conexão entre assassinatos de PC e de governador do Acre
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sábado, 06 de novembro de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 07 (AE) - Os integrantes da CPI do Narcotráfico esperam encontrar nas investigações que farão em Campinas (SP) nesta semana as peças que faltam para elucidar as mortes do ex-governador do Acre Edmundo Pinto e do empresário alagoano Paulo César Farias. Eles suspeitam de ligação entre os dois assassinatos e o narcotráfico.
Os deputados Pompeo de Mattos (PDT/RS) e Robson Tuma (PFL/SP) devem interrogar várias pessoas ligadas ao empresário Willian Walder Sozza, acusado de comandar em Campinas uma conexão do crime organizado que teria vínculos com a quadrilha chefiada pelo deputado cassado Hildebrando Pascoal. Mattos acredita que esses depoimentos poderão revelar os mandantes dos dois crimes.
"As mortes de PC Farias e do governador Edmundo Pinto não são fatos isolados", afirma o deputado. "Se conseguirmos avançar nas investigações, vamos desvendar os dois casos", sustenta Mattos. Ele lembra que alguns depoimentos prestados à CPI do Narcotráfico evidenciam as conexões do grupo de Campinas com os grupos do Acre, liderado por Pascoal, suspeito de ter encomendado a morte do governador, e do Maranhão, que teria vínculos com a família Farias.
Testemunha - As suspeitas da CPI são reforçadas pelo depoimento de uma testemunha do Acre, que está sendo preservada pelos integrantes da Comissão. Eles a identificam como Ezequiel e tentam convencê-la a depor formalmente na CPI . Segundo a deputada Laura Carneiro (PFL/RJ), essa testemunha confirma que Hildebrando Pascoal viajava constantemente para Campinas.Investigadores da Comissão estão tentando mapear essas viagens pesquisando nos registros dos hotéis de Campinas e São Paulo.
Pascoal está preso em Brasília, mas será levado amanhã (08) para Rio Branco (AC), onde prestará depoimento. O deputado cassado será escoltado por dez agentes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal e deve retornar a Brasília na próxima sexta-feira. O esquema de deslocamento de Pascoal está sendo mantido em sigilo pela Polícia Federal.
Estratégia - Os deputados Pompeo de Mattos e Robson Tuma devem reunir-se na quarta-feira com o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), e com o relator, Moroni Torgan (PFL-CE), para traçar a estratégia da investigação em Campinas. Os dois farão as investigações preliminares a partir de quinta-feira ou sexta-feira. Os demais integrantes da CPI devem juntar-se a eles na semana que vem para ouvir testemunhas oficialmente e fazer diligências. Eles também devem acompanhar as operações de busca do empresário Willian Sozza, que está foragido há 25 dias e com prisão preventiva decretada.
Nesta semana, a CPI poderá ouvir o depoimento de novas testemunhas. A deputada Laura Carneiro vai propor a convocação do doleiro Khaled Nawaf Aragi, suspeito de lavar dinheiro para o traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Aragi é dono de uma casa de câmbio e foi preso em Ponta-Porã (MS), cidade que faz fronteira com o Paraguai. O doleiro foi transferido para o Rio de Janeiro na sexta-feira.


