CPI bloqueia bens de Lopes, mulher e sócios
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de abril de 1999
Por Claudia Carneiro, Vânia Cristino e Gerson Camarotti 
Brasília, 26 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, sua mulher Aracy Pugliese, e seus sócios na Macrométrica estão com seus bens pessoais indisponíveis. A decisão foi tomada hoje à noite, numa reunião secreta da CPI dos Bancos ocorrida duas horas depois da tumultuada retirada de Lopes do Senado, escoltado pelo delegado da Polícia Federal Itanor Neves Carneiro, que assessora a CPI. Os integrantes da CPI decidiram também quebrar o sigilo fiscal, telefônico, bancário e postal de todos eles.
"O mais prejudicado de tudo isso é o próprio Francisco Lopes, que perdeu a chance de se defender", afirmou o vice-presidente da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Arruda admitiu que o processo contra Francisco Lopes continua agora na Justiça, mas o ex-presidente do BC teria prestado um "serviço" à comissão por abreviar os trabalhos de investigação. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), garantiu que a atitude de Francisco Lopes não seria seguido por outros.
"Ninguém vai tomar a mesma atitude, porque ninguém vai querer ser culpado como está sendo hoje o Francisco Lopes... ele fez um haraquiri", afirmou ACM, numa alusão ao ritual suicida japonês.
Quando Lopes ainda aguardava no Senado a chegada de um delegado federal para ser levado à Superintendência da Polícia Federal, Antônio Carlos Magalhães convocou os integrantes da comissão e os líderes partidários para uma reunião em seu gabinete. Irritado, ACM pedia a retirada imediata de Lopes do Senado e apoiou uma ação enérgica da CPI. "A CPI vai fazer tudo o que tiver direito", afirmou um dos integrantes, o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO).
Telefonema - Antes da reunião com a CPI, o senador Antônio Carlos Magalhães telefonou para o presidente Fernando Henrique Cardoso, para avisar-lhe que o rumo das investigações, daqui para frente, era "preocupante". Na conversa, ACM ponderou que Francisco Lopes criou uma unanimidade contra si próprio, inclusive dos que tinham simpatia por ele. "A atitude é grave e não há mais como defendê-lo", disse ACM, observando que tudo isso pode levar a uma "ação mais dura" da CPI contra o Banco Central.
No meio do tumulto provocado pela decisão de Francisco Lopes, os senadores da CPI receberam a notícia de que o depoimento do ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch, marcado para amanhã (27), às 16h30, estava confirmado. Na reunião da noite, a CPI decidiu convocar novas figuras que estão envolvidas nas denúncias contra Francisco Lopes. Rubens Novaes e Luiz Augusto Brangança, que teriam intermediado a operação de socorro do BC ao Banco Marka, serão chamados para depor na quarta-feira (28) à tarde.
Sérgio Luiz Bragança, irmão de Luiz Augusto e ex-sócio de Lopes, e Alexandre Pundek, assessor da Diretoria de Polícia Monetária do BC, serão convocados para quinta-feira.


