Paulo San Martin
Especial para a Folha
A CPI da Funai, Comissão Parlamentar de Inquérito, que investiga os procedimentos de demarcação de terras indígenas no Brasil e a atuação de Organizações Não-Governamentais (ONGs) conveniadas à Fundação Nacional do Índio, decidiu enviar uma comitiva de deputados ao Mato Grosso do Sul para avaliar o agravamento da crise indígena no Estado e a nova onda de suicídios entre os índios guaranis e kaiowás das reservas da região de Dourados. A notícia, divulgada pelo jornal Diário do Povo, de Campo Grande, foi confirmada pelo deputado federal João Grandão (PT-MS), membro titular da CPI e autor do requerimento que pede o deslocamento da comitiva.
De acordo com João Grandão, a comitiva deverá realizar diligências nas aldeias guaranis e kaiowás da região de Dourados e municípios vizinhos, onde o conflito entre índios e brancos se agravou nas últimas semanas. ‘‘As comunidades indígenas da região apresentam sérios problemas de origens diversas, que vão desde a demarcação de áreas e o crescimento dos suicídios entre os jovens, até a suspeita de homicídios mascarados como suicídios’’, afirma o deputado. A CPI da Funai aprovou também a realização de uma audiência pública onde serão ouvidas lideranças indígenas, estudiosos da causa, representantes de ONGs que trabalham com a questão indígena e funcionários da Funai.
Os primeiros registros de suicídios de índios ocorreram em 1986, mas se agravaram a partir de 95. Segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 319 casos de suicídios foram registrados nas aldeias do Mato Grosso do Sul. Há suspeitas de que parte desses suicídios sejam homicídios mascarados. Em todos os casos, os especialistas apontam a demora pela demarcação das terras indígenas como principal motivo.
Nos últimos dois meses, o conflito pela posse da terra se agravou no Estado. Várias fazendas estão ocupadas por mais de dois mil índios, em diversos municípios. O agravamento da crise assume proporções de um grave conflito étnico. No Mato Grosso do Sul existem mais de 30 mil guaranis e kaiowás, com lideranças comuns que começaram a se organizar com maior eficiência nos últimos anos e ainda mantêm contato estreito com parte dos grandes contingentes guaranis do Paraguai.

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