Belo Horizonte, 18 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa de Minas, que investiga um suposto esquema de facilitação de carteiras de habilitação no Estado - envolvendo dezenas de policiais civis e funcionários do Detran-MG -, colheu hoje o depoimento da principal testemunha do caso. O ex-instrutor de auto-escola Oracir Rodrigues, 44 anos, confirmou todas as acusações feitas no mês passado, nas quais a CPI se baseia. Caso haja comprovação das denúncias, o Detran-MG pode até sofrer interdição do Denatran, como já informou a direção do órgão federal.
O ex-instrutor, que teme sofrer um atentado e vive sob escolta da PM - chegou à Assembléia com colete à prova de balas e acompanhado de quatro militares, fortemente armados -, disse ter "agenciado", nos últimos anos, a comercialização de mais de três mil carteiras. "Cheguei a vender 100 por dia", afirmou. Os interessados pagavam R$ 800,00 para trocar de categoria ou R$ 1,4 mil para adquirir o documento novo. O esquema teria sido montado pelos empresários Paulo Marcondes e Elias Vitorino, donos de uma auto-escola em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte.
Os delegados Hilário Teixeira e Jair Hélio, que eram lotados em Santa Luzia, seriam os encarregados de fazer "contatos" no Dentran-MG e em outros órgãos da Polícia Civil, agilizando a expedição das carteiras. "Minha função era arranjar os compradores para os documentos e eles faziam o resto", disse Rodrigues, que recebia R$ 70,00 por cada venda. Além dos empresários, dos dois delegados e do ex-instrutor, cerca de 20 policiais e funcionários do Detran-MG, muitos dos quais já afastados, estariam no esquema.
Boa parte dos 102 examinadores do Detran mineiro, responsáveis pelas avaliações nos testes de direção, também estaria envolvida. Segundo o presidente da CPI, João Leite (PSDB), uma das suspeitas é de cobrança de propinas para aprovar os candidatos. "Temos evidências de que 60% dos examinadores participam da facilitação e venda de carteiras em Minas", afirmou o deputado. O secretário estadual de Segurança Pública, Mauro Lopes, disse hoje que o caso está sendo investigado pela Corregedoria de Polícia Civil. Lopes negou a possibilidade de intervenção do Denatran no Detran-MG.

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