Brasília, 15 (AE) - A CPI do Narcotráfico aprovou hoje o indiciamento do deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (PFL), apontado pelos deputados da subcomissão responsável pela investigação no Estado como um dos dirigentes do crime organizado local. Os integrantes da CPI também aprovaram a quebra de sigilos bancário
telefônico e fiscal de mais de 40 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de envolvimento em crimes no Espírito Santo, entre os quais parentes e sócios de Gratz, policiais, advogados e empresários.
O pedido de indiciamento de Gratz consta de um aditamento ao relatório parcial do grupo de parlamentares que esteve no Espírito Santo em diligência para investigar ação do crime organizado. Assinado pelo deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), o adendo aponta o envolvimento de Gratz nos crimes de corrupção ativa, homicídio e falso testemunho, além de crime eleitoral. Segundo Biscaia, ao final dos trabalhos da CPI do Narcotráfico, em abril, o relatório final vai sugerir ao Ministério Público que solicite o indiciamento de Gratz nos crimes, para fins de ação penal.
Também integrante do grupo que realizou diligência no Espírito Santo, o deputado Ricardo Noronha (PMDB-DF) acha que só o fato de a CPI ter aprovado o indiciamento de Gratz seria suficiente para uma ação imediata da Assembléia Legislativa. "Acho que poderia ser aberto um processo para a cassação do deputado Gratz", disse hoje Noronha.
Acusações - O relatório dos parlamentares aponta o envolvimento de José Carlos Gratz em um esquema para pagamento de propinas para liberação de máquinas de videobingos. O documento o coloca como suposto autor intelectual da morte de João Luis da Silva, em junho deste ano, em Vitória. A acusação tem como base o depoimento prestado pelo tio da vítima, Izaias Soriano de Oliveira.
"O depoimento, além de outros elementos que subsidiam tal denúncia, permite concluir que José Carlos Gratz é o mandante, ou seja, o autor intelectual do assassinato de João Luis da Silva e que a motivação para a prática do delito teria sido o não adimplemento do cheque de R$ 20 mil emitido para honrar um dívida contraída pela vítima com o deputado Gratz", diz o relatório. Ainda conforme os parlamentares, Gratz teria autorizado publicidade institucional dos atos da Assembléia como forma de beneficiar-se na campanha, em 1998.
Gratz também teria "faltado com a verdade e omitido informações" ao ser ouvido pela CPI durante a diligência no Estado. A diligência no Espírito Santo concluiu pela existência de crime organizado diversificado no Estado, incluindo jogo de azar, lavagem de dinheiro por meio de bingos, pessoas usadas como laranjas, roubo de automóveis e tráfico de drogas.
Além de Gratz, a CPI aprovou a quebra de sigilo de várias pessoas, entre eles Dejair Camata, o cabo Camata, prefeito do município de Cariacica - considerado um dos homens de confiança de Gratz -, Antônio Carlos Martins e Marcelo Martins, ambos presos em 1995 com 660 quilos de cocaína, no porto de Vitória, e o ex-investigador de polícia Gilson dos Santos Lopes, que seria sócio da "Scuderie Detetive Lec Cocq".
Também foram aprovadas quebras de sigilo de oito empresas onde José Carlos Gratz possui ou já possuiu participação societária. A CPI enviará nova diligência ao Espírito Santo em fevereiro, com o objetivo de complementar as investigações e continuar a tomada de depoimentos.

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