CPI aprova convite a Maluf, mas depoimento não está assegurado
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 20 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais aprovou hoje, por três votos a dois, convite ao presidente nacional do PPB e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, e ao atual prefeito Celso Pitta (sem partido) para prestar depoimento à comissão sobre supostas irregularidades ocorridas na contratação de funcionários por empresas controladas pela Prefeitura entre 1993 e 1996. O requerimento apresentado pelo relator da CPI, vereador Mílton Leite (PMDB), concede prazo de 15 dias para definir a data dos depoimentos, o que leva os vereadores governistas a acreditar que os dois acabarão não falando à comissão.
Leite alega que precisa de tempo para "reunir provas para arguição" porque o PMDB tem interesse em apurar suposto faturamento que teria ocorrido nas obras de canalização e pavimentação da Avenida águas Espraiadas, no Brooklin, zona sul.
Em conversas reservadas, os vereadores governistas acreditam que dificilmente Maluf e Pitta prestarão depoimentos. Eles argumentam que, apesar de aprovado, o requerimento é dúbio e passivo de várias interpretações. A posição inicial era pela convocação, mas em menos de 24 horas mudou para convite. A diferença é que o convite pode ou não ser aceito.
"Se não vierem, convocaremos", afirmou Leite. "Não acredito que se trate de uma manobra política, porque se isso for confirmado o requerimento do vereador Mílton Leite, que tem o aval do PMDB, será um documento não-sério e não acredito nisso", afirmou o presidente da CPI, José Eduardo Cardozo (PT).
O presidente da CPI dos Fiscais disse não acreditar que o ex-prefeito Paulo Maluf negue-se a depor na comissão. "Isso seria um desrespeito à cidade de São Paulo, não creio que o Maluf faça uma coisa dessas e tampouco que ele tema prestar esclarecimentos à CPI", completou o vereador.
A intenção da comissão é obter explicações de Maluf e Pitta sobre as contratações supostamente irregulares de funcionários pela Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam) e pelo Instituto de Previdência do Município (Iprem). Essas empresas estão sendo investigadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Cobranças - Vereadores governistas disseram ter recebido telefonemas de Maluf pedindo para que fosse rejeitada a convocação ou convite. Um dos parlamentares procurados foi o presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido). Os vereadores Brasil Vita e Wadih Mutran, ambos do PPB, votaram contra o convite, mas não conseguiram impedir o resultado. A Assessoria de Imprensa do ex-prefeito Paulo Maluf negou que ele tenha conversado com Mellão. De acordo com a Assessoria, Maluf só vai manifestar-se quando for oficialmente notificado da decisão da CPI.


