Brasília, 30 (AE) - Um total de 12 requerimentos que proporcionarão a devassa fiscal, telefônica e bancária de todas as empresas do grupo Monteiro de Barros foi aprovado hoje pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado, que também convocou para depor em agosto três juízes e outros suspeitos.
As medidas complementarão as investigações que estão sendo feitas na Incal e Ikal, do mesmo grupo, comprovadamente envolvidas no desvio de R$ 162,28 milhões dos R$ 222,62 milhões repassados às obras do Fórum trabalhista de São Paulo.
Em datas a serem marcadas, serão ouvidos os juízes Asdrúbal Vasquez Cruxên, acusado de dilapidar a herança do menor Luis Gustavo Nominato, José Maria de Mello Porto, responsabilizado por inúmeras irregularidades administrativas, durante a gestão como presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio, e Beethoven Giffoni Ferreira, que estaria envolvido no esquema de adoção ilegal de crianças. Apenas Giffoni manifestou a vontade de depor na CPI. Já Cruxên e Porto têm reagido à divulgação dos nomes como envolvidos em escândalos
com processos por injúria e difamação.
A CPI autorizou, a pedido do senador José Eduardo Dutra (PT-SE), a realização de digiligências na Junta Comercial de São Paulo para levantar documentos cadastrais relacionados a empresas do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho, dono da Incal e Ikal. Ele e o primo dele, José Eduardo Ferraz, também terão quebrado o sigilo telefônico, até mesmo do celular, de julho. Outro requerimento abre o sigilo bancário, fiscal e telefônico de seis empresas do grupo. A alegação de Dutra é que essas empresas receberam verbas destinadas às obras do Fórum.
O depoimento em que o corretor Antônio Moacir Dantas Cavalcanti tentou se defender do fato de ter sido flagrado pela CPI com um depósito de R$ 50 mil em conta, da venda superfaturada de uma casa do TRT da Paraíba, deixou muitas dúvidas. Ele disse que avaliou de graça, por R$ 750 mil, a casa pertencente a Antônio Almério, cuja avaliação feita pela Caixa Econômica Federal (CEF) era de R$ 265 mil.
A CPI deu garantias de vida a Cavalcanti porque, na defesa, ele acusou Marcondes Meira Filho, filho do então presidente do TRT Severino Marcondes Meira. O corretor disse que
em janeiro de 1995, data em que foi feita a negociata envolvendo o TRT, Meira Filho, amigo dele há 15 anos, a quem ele chamava de "Conde", pediu-lhe para depositar um cheque de R$ 50 mil na sua conta do Unibanco e lhe entregar R$ 7 mil adiantados. No dia seguinte, Conde teria sacado no caixa mais R$ 31,2 mil e levado outro cheque de R$ 15 mil para depositar na conta do amigo, mediante promessa de que poria R$ 3,2 mil na conta dele, o que efetivamente fez.
Cavalcanti explicou dessa forma o fato de haver um cheque assinado por Almério na sua conta. Ele desafiou o emitente do cheque a mostrar um recibo de que teria lhe dado R$ 50 mil. O corretor disse aos senadores que foi "usado" pelo ex-amigo, tido como um dos responsáveis pela compra superfaturada. A CPI vai pedir à Polícia Federal (PF) que ouça o gerente do Unibanco para checar se ele confirma essa versão.

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