CPI aponta 355 adoções suspeitas
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas identificou indícios de irregularidades em processos de adoção de 355 crianças em 35 cidades do Paraná e de Santa Catarina. Estes procedimentos foram realizados desde 1993. O dados foram apresentados ontem em audiência pública na Assembleia Legislativa, em Curitiba.
Conforme a CPI, as investigações apuram supostas adoções ilegais em Curitiba, Ivaiporã, Cascavel, Ponta Grossa, Campo Mourão, Paranaguá, Campo Largo, Piraí do Sul, União da Vitória, Guarapuava, Guaíra, Telêmaco Borba, São José dos Pinhais, Iporã, Laranjeiras do Sul, Rio Negro, Almirante Tamandaré, Catanduvas, São João do Triunfo, Xambrê, Faxinal, Palotina e Palmas.
Em Santa Catarina, são investigados casos nas cidades de Florianópolis, Joinville, Papanduva, Mafra, Chapecó, Abelardo Luz, Caçador, Seara e Campo Erê.
"Estamos no início das investigações. É apenas a ponta de um iceberg e hoje começamos a desembaraçar este novelo. O Audelino de Souza (intermediador) era o braço brasileiro da ONG Limiar, com sede nos Estados Unidos e filial em São Paulo, que acabou enriquecendo com lucro de famílias que tinham uma boa intenção de fazer um ato humanitário, mas que acabaram fomentando o tráfico internacional de crianças", ressaltou o deputado federal e vice-presidente da CPI, Fernando Francischini (PEN-PR).
Além de um debate sobre mudanças a serem aplicadas na legislação para melhorar a proteção às crianças brasileiras em casos de adoções internacionais, algumas pessoas depuseram no período da tarde.
Entre elas, o principal suspeito de intermediar as adoções, Audelino de Souza. Os deputados disseram que, na quebra de sigilo bancário do acusado, houve evolução patrimonial de R$ 160 mil para R$ 460 mil em quatro anos. Ao ser questionado sobre indícios de que recebia "doações" em dinheiro por criança adotada, ele negou.
"Nunca recebi dinheiro de nenhuma de família. O valor que recebo são honorários mensais pelo meu trabalho e para despesas em geral com escritório, gasolina etc. Os valores são em torno de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil. Como já coloquei no meu depoimento à Polícia Federal, meu salário é condizente com o papel que desempenho. Não tenho problema em falar, inclusive está declarado em imposto de renda'', afirmou.
Maria Rivonete Santos, mãe de dez filhos, entre eles as sete crianças que foram adotadas no ano de 2006 na cidade de São João do Triunfo (Campos Gerais), também esteve na audiência pública. "Não sabia de nada. Morávamos em uma chácara perto de São João do Triunfo e não ficamos sabendo que eles tinham sido levados, ainda mais por um casal dos Estados Unidos. Sabíamos que estavam num abrigo da cidade. Depois disso nunca mais ouvi falar deles. Tenho esperança de reencontrá-los", afirmou. Ela e o marido tiveram o pátrio poder destituído em 2003, e as crianças foram encaminhadas para uma Casa Lar da cidade, até serem adotadas em 2006.
A promotora de Justiça Tarcila Santos Teixeira, que na época atuava em São João do Triunfo, e hoje está responsável pela cidade de São Mateus do Sul, garante que o processo de destituição foi feito dentro dos trâmites legais.
"Foram levantadas informações pelo Conselho Tutelar e inclusive pela polícia de que algumas crianças passavam fome, outras até foram ameaçadas. Agora, com relação à adoção internacional, tudo é feito pelo Tribunal de Justiça. Fizeram contato e simplesmente ficamos esperando que a Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Paraná (CEJA) averiguasse a situação das pessoas interessadas", disse.


