CPI afirma que traficantes produziram vídeo
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quinta-feira, 03 de abril de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado afirmaram ontem ter evidências que mostram que as ações da Polícia Militar na favela Naval, em Diadema (Grande SP), foram filmadas por traficantes de drogas. A afirmação foi feita na tarde de anteontem, durante visita de deputados à favela. Essa informação teria sido conseguida por policiais do serviço reservado do 24º Batalhão da Polícia Militar, em Diadema, junto a moradores da favela.
Segundo o deputado Roberval Conte Lopes (PPB), os traficantes contrataram um profissional para fazer as filmagens porque estariam sendo extorquidos pelos PMs liderados pelo soldado Otávio Lourenço Gambra, o Rambo. Dois traficantes organizaram o contra-ataque, segundo a CPI. Eles seriam conhecidos por Negão e Ratão. Lopes afirmou que, até novembro de 96, esses traficantes pagaram propina aos policiais para venderem droga sem sofrer repressão.
Desde então, os policiais teriam exigido um aumento na propina. Os traficantes não teriam concordado e teriam deixado de pagar. Como represália, os policiais começaram a fazer blitz, agredir e extorquir consumidores de drogas, afirmou Conte Lopes. O objetivo era forçar os traficantes a voltar a pagar regularmente a propina. Mas, ao invés de voltarem ao esquema de suborno, Ratão e Negão teriam decidido se vingar. Eles teriam contratado um cinegrafista, que teria filmado as ações dos policiais em três dias na casa número 300 da rua Naval, em frente ao local onde a PM se concentrava. Numa dessas ações, os policiais mataram Mário José Josino.


