Brasília, 23 (AE) - A base do governo se mobilizou hoje para derrubar o pedido do deputado Fernando Zuppo (PDT-SP) de quebra de sigilo bancário e telefônico de 21 laboratórios, na CPI dos Medicamentos. Representantes deste laboratórios teriam se reunido no ano passado para acertar uma estratégia de boicote aos genéricos. A votação foi adiada por causa da ordem do dia na Câmara. O governo defende a proposta do relator Ney Lopes (PFL-RN), de quebra de sigilo bancário apenas para complementar as informações decorrentes da quebra do sigilo fiscal, já aprovada.
Hoje a CPI foi surpreendida com o anúncio, pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), do afastamento de seu presidente, Aparecido Camargo
que afirmou existir no mercado medicamentos denominados "B.O.", ou "bom para otário".
Proposta - A idéia de Lopes agrada ao governo, já que o deputado alega que não há fundamentação para a quebra indiscriminada de sigilo bancário dos laboratórios, pois não há indícios de movimentação de quantia de origem ilícita. A CPI investiga 21 laboratórios que teriam se reunido em São Paulo, no ano passado, supostamente para defender uma campanha contra remédios genéricos.
"Parece que a ação do governo é para intimidar a CPI", protestou o deputado Geraldo Magela (PT-DF), um dos defensores da proposta de Zuppo. "O governo só quer a quebra do sigilo bancário se o fiscal indicar necessidade", afirmou o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos articuladores da base aliada. Ele foi encarregado de arregimentar deputados suplentes que habitualmente não participam das sessões da CPI. "A proposta de Lopes atende às necessidades atuais, já que estamos partindo para as investigações das informações fiscais", disse Perondi."
Para a deputada Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), se não houver a quebra do sigilo bancário das indústrias a imagem da CPI estará prejudicada. O presidente da comissão, deputado Nélson Marchezan (PSDB-RS) admitiu prejuízos. "Parte dos deputados vai reclamar se o sigilo não for quebrado, mas outros vão dizer que a quebra levará ao excesso de informações", comentou. "Os dois lados têm razão." Para o relator, a quebra do sigilo bancário indiscriminada pode afetar as bolsas. "Não estamos aqui para fazer pirotecnia", disse ele, em um ataque velado à oposição.
Hoje a Abrafarma comunicou à CPI a renúncia do presidente da entidade, Aparecido Camargo.

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