CPI adia decisão sobre convocação de donos de bancos ajudados pelo Proer
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Cláudia Carneiro 
Brasília, 27 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro no Senado adiou mais uma vez a decisão sobre a convocação dos presidentes das instituições financeiras que receberam recursos do Proer - o programa criado pelo governo Fernando Henrique Cardoso para sanear o sistema financeiro - e daquelas que compraram bancos em dificuldades financeiras. Depois de discutir o assunto numa reunião interna, os senadores informaram estar dependendo do Banco Central (BC), que até hoje não havia enviado as informações requeridas desde o dia 20 sobre o Proer.
Na mesma reunião, a CPI aprovou a convocação do procurador da República Celso Antônio Três, de Cascavel (PR), na quarta-feira (02), às 10 horas, para falar das investigações sobre a decoberta de 310 "laranjas" usados para a remessa de mais de R$ 5 bilhões para o exterior por meio das chamadas contas CC-5, entre 1997 e 1998. O procurador obteve da Justiça a quebra do sigilo bancário das contas CC-5, a partir das investigações da CPI dos Precatórios realizada no Senado. Ele declarou que o Banco Marka enviou muito mais do que R$ 17 milhões remetidos ao exterior pelas CC-5 - conforme havia apurado a CPI -, mesmo depois da receber a ajuda financeira do BC.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) vem insistindo para a CPI tomar uma decisão sobre os dirigentes dos bancos que serão convocados com o objetivo de explicar os resultados do Proer. O requerimento de convocação apresentado pelo senador inclui todos os bancos aborvidos por outros por apresentar dificuldades financeiras, além dos que compraram tais instituições. Suplicy relacionou os Bancos Pontual, Itaú, Unibanco, HSBC, Rural, Bandeirantes, Bilbao Viscaia, BCN, Martinell, Nacional, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Econômico e Excel.
Os senadores da CPI que integram a base governista revelam, em conversas reservadas, encontrar dificuldades para a convocação de dirigentes desses bancos com o objetivo de depor na comissão. O relator da CPI, João Alberto Souza (PMDB-MA), apresentou um argumento técnico: "Não dá para convocar esses bancos sem antes receber as informações que pedimos ao Banco Central para termos a noção exata da situação desses bancos antes e depois do Proer", disse. "Nós queremos fazer uma radiografia do Proer, mas podemos chamar um banco e não chamar outro", continuou.
O relator viajou hoje para o Rio, onde vasculhou, com a ajuda do senador Saturnino Braga (PSB-RJ) e de assessores da CPI
os papéis da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para obter informações sobre a emissão de debêntures pela Teletrust de Recebíveis. Pelos dados obtidos pela CPI, esta empresa teria uma ligação direta com os negócios realizados pelo Marka. O relator vai investigar a participação de fundos de pensão estatais na compra de debêntures da Teletrust. Documento recebido pela CPI revelou que a Petros - o fundo de pensão da Petrobras - comprou R$ 28,89 milhões da Teletrust, considerada pelos senadores como uma empresa "virtual".
A CPI decidiu também que o relator deverá apresentar um esboço de relatório sobre as investigações do caso Marka e FonteCindam na quarta-feira, uma vez que a demora na investigação de dados do sigilo dessas instituições atrasou a elaboração do relatório conclusivo. "Vou apresentar um relatório preliminar para que os senadores estudem o assunto e, depois, possamos fazer o relatório definitivo", disse Souza.


