CPI acredita ter encontrado testa-de-ferro de Farias
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques e Ricardo Rodrigues 
Maceió, 10 (AE) - Os parlamentares da CPI do Narcotráfico acreditam ter encontrado pelo menos um "testa-de-ferro" do deputado Augusto Farias (PPB-AL). A partir de denúncia de tráfico de drogas e contrabando de armas na empresa Tigre Vigilância Patrimonial de Alagoas, que pertence a Marcos André Tenório Maia, a Polícia Federal descobriu dezenas de documentos pessoais de Augusto Farias. O deputado Lino Rossi (PSDB-MT) disse que os documentos poderão levar à cassação de Augusto Farias, caso ele não tenha prestado contas ao Fisco.
Entre os documentos encontrados há saldos de cartões de crédito, extratos bancários, folhas de pagamentos de funcionários, lista de fazendas e procurações, tudo em nome do deputado. Em mais de 50 pastas, estão doações de campanha que a empresa Blumare Veículos, que pertence a Luiz Romero Farias, fez para a campanha do irmão Augusto.
Apesar de a empresa pertencer a Marcos Maia, a CPI já tem documentos, em papel timbrado da empresa, com a assinatura que seria de Augusto. A PF já tinha pedido a quebra de sigilo da Tigre, mas informou o nome errado ao Banco Central e teve que enviar novo pedido. O sigilo de Marcos Maia também deverá ser quebrado nas próximas semanas.
Nomeação - Na documentação apreendida, há um título de nomeação de Marcos Maia como agente da Polícia Civil e outro título de nomeação para cargo na Assembléia Legislativa. Há também uma procuração de Augusto Farias para Chris Cuchiaro Naslausky Mibielli, do 2.º Ofício de Notas e Protestos de Brasília, para que a ela assine escritura de venda de um apartamento no Rio para o advogado Nabor Bulhões. A CPI investiga se é o mesmo flat que pertencia a PC Farias.
Foi encontrado um contrato social que relaciona Augusto Farias e uma de suas irmãs como donos da empresa Normandia Veículos. No endereço há um escritório de advocacia. A PF apreendeu um computador com várias informações sobre Augusto Farias, até mesmo números de contas telefônicas que pertenceriam ao deputado. Todos os números serão checados. Há uma lista de pagamentos de R$ 10 a R$ 13 mil a algumas pessoas, que a CPI prefere que, por enquanto, os nomes não sejam publicados. Em seus telefones pessoais, Augusto e Maia não foram localizados.
Ameaças - Duas ameaças foram feitas contra integrantes da CPI em Maceió. Uma pessoa ligou na madrugada de hoje ao hotel Jatiúca Resort, onde estão hospedados os parlamentares da CPI, e ofereceu ao porteiro R$ 30 mil para que ele colocasse uma "caixa" no apartamento de Robson Tuma. A PF fez varredura no local. Na noite de quinta-feira, foi registrada ameaça de bomba no plenário da Procuradoria de Justiça.
A CPI ouvirá ainda esta noite o funcionário público Eduardo Amaral, filho do ex-secretário de Segurança Antônio do Azevedo Amaral. Segundo o ex-governador Geraldo Bulhões, Eduardo deu a informação de que o legista Badan Palhares recebeu R$ 400 mil para forjar o laudo da morte de PC Farias e Suzana Marcolino, denúncia feita inicialmente pelo legista George Sanguinetti.
A CPI ouviu hoje a promotora Eônia Pereira Bezerra, irmão de Elma Farias, mulher de PC Farias, morta em Brasília, sobre a acusação de que Augusto teria motivos para assassinar a cunhada e o irmão PC Farias. A reportagem não localizou Augusto Farias hoje.


