Brasília- O deputado Miguel Martino (PHS-MG), integrante da CPI do Apagão Aéreo, e que foi controlador de vôo, afirmou ontem, com base nos dados das caixas-pretas do Airbus A320 da TAM apresentados aos deputados da comissão, que a pane que causou o acidente no Aeroporto de Congonhas no dia 17 de julho ''foi do avião, e não um erro dos pilotos'', porque o comandante pediu ''spiller'' (freio) ao co-piloto, o qual, por sua vez, respondeu: ''nada, nada'', referindo-se à falta de freio. Segundo Martino, o piloto ''fez tudo certo'', mas a aeronave ''já estava com pane'', como demonstra a transcrição de outro diálogo, em que um dos pilotos diz ''desacelera'', e o outro responde ''não consigo''.
O relator da CPI da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RJ), também fez declarações relacionadas à possibilidade de falhas mecânicas terem contribuído fortemente para o choque do Airbus da TAM. Maia está de posse das fichas de controle de entrada e saída dos aviões da TAM em oficina para serem submetidos a manutenção. As fichas informam, segundo Maia, que no dia 17 de julho passado - dia do acidente em Congonhas - o Airbus A320 estava em Campo Grande (MS), mas nas fichas de manutenção constava a observação ''falhas no freio, no trem de pouso e no reverso.'' Mesmo assim, o avião decolou para Brasília (DF), depois fez escala em Congonhas, de onde seguiu para Porto Alegre (RS).
Desacreditado- O vazamento de informações da caixa-preta do Airbus da TAM é ilegal e tornará o Brasil ''desacreditado'', segundo avalia o tenente brigadeiro-do-ar e consultor Mauro Gandra. O argumento é que o Brasil é signatário da Convenção de Chicago, de 1944, na qual o Anexo 13, que trata de segurança de vôo, diz que os dados obtidos na investigação de um acidente aeronáutico devem ser sigilosos. Para ele, ''isso é muito grave'' no que diz respeito à qualidade da administração da segurança de vôo no Brasil.

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