CPI acompanha investigação da pol´ciia em Maricá
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Felipe Werneck e Roberta Jansen 
Rio, 09 (AE) - Quatro deputados da CPI do Narcotráfico estarão amanhã (10) pela manhã em Maricá, no litoral norte do Estado (a 55 km do Rio), para acompanhar uma investigação da Polícia Civil que aponta a utilização do aeroporto da cidade como rota do tráfico internacional de drogas e a suposta participação no esquema de um oficial reformado da Força Aérea Brasileira (FAB).
O delegado da 82.ª DP (Maricá), Anestor da Silva Magalhães, acredita na ligação do assassinato do tenente-coronel reformado da Aeronáutica e então diretor da Escola de Pilotagem de Maricá, Paulo Roberto de Souza Machado, em 30 de abril, com as mortes do suposto traficante italiano Franco Pellicciota, em 26 de abril, e de Waldemir Nunes, ex-empregado de Franco no hotel Park Lanne, em em 22 de maio.
"As três mortes estão relacionadas, porque a arma utilizada foi a mesma e depoimentos confirmam que os três eram vistos juntos com frequência no hotel de Franco", afirmou o delegado. Magalhães contou que, inicialmente, acreditava-se que a morte do coronel estaria relacionada a uma represália por parte de traficantes da região.
Machado foi morto por homens que estavam em dois veículos Kombi, na estrada que liga Maricá a Itaboraí. "Existem denúncias de que ele sabia dos vôos noturnos que aconteciam para o desembarque de drogas, não fez nada e ainda acobertava pessoas", disse o delegado.
O deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ) informou que a CPI recebeu denúncias de que traficantes estariam arremessando drogas de aviões durante a noite na pista do aeroporto, posteriormente recolhidas por ocupantes dos carros utilizados para iluminar, com os faróis, a pista, de 1.300 metros. O delegado afirmou que, atualmente, a polícia está monitorando os vôos na região. Segundo ele, a rota investigada começa na Bolívia e na Colômbia, passa por Ponta Porã (MS), Atibaia (SP) e chega a Maricá, de onde a droga seria distribuída para o Rio.
Hoje, oficiais da Aeronáutica envolvidos no escândalo do transporte de cocaína em aviões FAB foram ouvidos pelos parlamentares da CPI.
Depois do depoimento do coronel Morvan Luiz Muller, comandante da Base Aérea do Galeão, o deputado Reginaldo Germano (PFL-BA) decidiu convocar para depor o tenente-coronel Antônio Tani, piloto do avião que transportava 33 quilos da droga para a Espanha e foi interceptado no Recife, em abril.
O comandante disse não acreditar na participação do piloto no esquema. Germano informou ainda que pretende pedir a quebra do sigilo bancário de Tani e outros dois oficiais. A CPI suspendeu a sessão antes de ouvir o soldado Wallace Marinho, por considerar que a diligência estava sendo pouco proveitosa para as investigações.


