CPFL assina contrato para construção da Termelétrica de Carioba
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 20 (AE) - A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) assinou hoje, em Campinas, termo de compromisso para a construção da Usina Termelétrica de Carioba, no município de Americana, a 150 quilômetros de São Paulo. O projeto, que tem a participação da Shell do Brasil e da Intergen, empresa de origem norte-americana especializada no desenvolvimento e operação de termelétricas, exigirá um investimento de US$ 600 milhões. O evento contou com a presença do ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho Neto.
A termelétrica começará a ser contruída no ano que vem e o início das operações está previsto para 2003. A usina terá capacidade para gerar 945 megawats/h de energia, suficientes, por exemplo, para abastecer uma cidade de dois milhões de habitantes. A energia será gerada a partir da queima de 3,8 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. "Estamos buscando novas alternativas para aumentar nosso parque gerador e a termelétrica deverá suprir 20% do nosso mercado", disse o presideente da CPFL, Ronald Jean Degen.
Dos US$ 600 milhões que serão investidos, 70% serão financiados e o restante será garantido por recursos próprios dos três parceiros. A unidade será construída num terreno de 300 mil metros quadrados, espaço equivalente a 40 campos de futebol. A termelétrica de Americana será abastecida pelo gasoduto Brasil-Bolívia, que corta a região e passa pelo pólo petroquímico de Paulínia. O produto, considerado não poluente, será comprado da Comgás, que tem a concessão do gás natural na região.
"Somente com iniciativas como esta minimizaremos, a médio prazo, a vulnerabilidade do sistema elétrico brasileiro", disse o ministro das Minas e Energia. Segundo ele, além da usina Carioba, outros 17 projetos de termelétricas já foram aprovados e deverão ser realizados nos próximos anos. Der acordo com o ministro, até 2004 serão acrescidos 26 mil MW à capacidade instalada nacional, dos quais 11 mil MW corresponderão a usinas termelétricas alimentadas por gás natural.
O ministro disse que o País passa por um "momento de transição" que inclui a matriz energética. "A participação do gás natural passará de 3% para 12% e a geração a partir de termelétricas aumentará de 9% para 19% da capacidade instalada"
disse. E aproveitou para mandar um recado à iniciativa privada: "O governo espera uma maior participação do empresariado nacional nesse processo".
A Usina Termelétrica de Carioba será a segunda unidade do tipo na região de Campinas. Até 2002, deverá entrar em operação, em Paulínia, a Companhia Termelétrica do Planalto Paulista. O empreendimento é do consórcio formado pela Odebrecht
Grupo Ultra, Cesp, Petrobras e a norte-americana Florida Energy Power, considerado um dos maiores grupos fornecedores de energia elétrica dos Estados Unidos.
As obras de construção da unidade de Paulínia deverão ser iniciadas em março de 2000. O projeto já conta com Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima), mas em recente audiência pública na Câmara Municipal, os empreendedores admitiram rever dois pontos: a emissão de óxidos de nitrogênio (resultantes da combustão do gás natural) e o alto consumo de água do rio Jaguari, que passa ao lado de onde será instalada a usina.


