Cozinheira e três filhas morrem intoxicadas em SP
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de julho de 1998
Agência Folha 
A cozinheira Danila Honório, de 34 anos, e três de suas quatro filhas morreram ontem de madrugada intoxicadas por fumaça na casa em que moravam, na rua João Xavier de Matos, em Americanópolis (zona sul de São Paulo).
Elas dormiram com a janela fechada, deixando carvão aceso em uma assadeira colocada ao lado da cama de casal onde dormiam as filhas de Danila, Jaqueline Célia Honório Cruz, 16 anos, Joyce Honório, 14 anos, e Daiane Jéssica Honório, de 11 anos.
A filha caçula de Danila, Luciana, 8 anos, escapou da morte. Ela dormiu na casa da avó, Maria Gerusa Vilela, no mesmo terreno onde ficavam os dois cômodos (quarto e cozinha) da copeira.
A cama onde as meninas dormiam pegou fogo parcialmente quando a ponta do cobertor de uma delas caiu na brasa, aumentando a contaminação do ar por fumaça (monóxido de carbono). Segundo peritos do Instituto de Criminalística (IC) que estiveram no local, a fumaça expelida pela queima do colchão é tóxica e provocou as mortes.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros da Capital, tenente-coronel Orlando Rodrigues de Camargo Filho, que esteve no local, Danila e as filhas morreram enquanto dormiam, apesar do fogo ter carbonizado as pernas de Jaqueline e Joyce. Elas não chegaram a gritar, e provavelmente não
sentiram dor, porque já deviam estar mortas, intoxicadas pela fumaça, disse. Segundo Camargo, permanecer cinco minutos em um ambiente tomado por fumaça é o suficiente para ocorrer a morte por asfixia.
A temperatura mínima registrada ontem pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foi de 10,5øC em São Paulo, mas o bairro de Americanópolis é acidentado e o terreno onde fica a casa onde morava Danila é alto e úmido, causando uma sensação de frio maior.


