Coveiro admite ter vendido 4 crânios
Agência Folha
O coveiro Cirilo Souza Cruz, 45, foi preso pela Polícia Civil de Cuiabá (MT) sob acusação de vender crânios para rituais de magia negra. Ele afirmou que as cinzas de ossos humanos estariam sendo usadas pelos coveiros para adubar árvores no cemitério Parque Bom Jesus de Cuiabá, a pedido dos administradores.
A prisão do coveiro ocorreu após o pai-de-santo José Augusto dos Santos, ter denunciado que pais-de-santo da cidade costumam comprar crânios do coveiro Cruz. Vendi quatro ou cinco crânios para uma pessoa há quatro meses por R$ 10,00. Ele não informou o nome do comprador.
O pai-de-santo foi preso na segunda-feira sob acusação de ocultação de cadáver e ultraje à pessoa morta. A polícia encontrou enterrados, na casa em que funcionava seu terreiro, na periferia de Cuiabá, oito crânios inteiros e oito crânios fragmentados, segundo o Instituto Médico-Legal (IML). Tanto os crânios vendidos quanto os ossos incinerados estariam sendo retirados pelos coveiros do ossário da ala destinada aos indigentes, com 1.200 sepulturas.
Foram encontrados ontem à tarde pequenos pedaços de ossos na base de alguns dos 60 pés de manga do cemitério. O delegado que cuida do caso, Márcio Pieroni, da Delegacia de Homicídios, tentou prender o responsável pelo cemitério, mas não o localizou. Meia hora depois, o sócio-proprietário da Sociedade Mato-grossense de Empreendimentos (Somatem), mantenedora do cemitério, Jorge Fernando Jardim de Souza, compareceu à Delegacia de Homicídios acompanhado de um advogado para ser ouvido pelo delegado, onde afirmou não ter conhecimento do uso de cinzas como adubo.
Apesar da falta de evidências até o momento, Pieroni ainda acredita na possibilidade de que o pai-de-santo tenha matado ou mandado matar pessoas como sacrifício em rituais religiosos. Uma incógnita é o paradeiro do farmacêutico Romualdo Barbosa, que desapareceu aos 29 anos, em dezembro de 95. Segundo testemunhas, o rapaz foi visto entrando no terreiro, onde em seguida teria ocorrido uma discussão e três disprados de revólver.
O presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Mato Grosso, o pai-de-santo Francisco de Oliveira, disse ontem que crânios e ossos não fazem parte dos rituais do candomblé. Para Oliveira, o pai-de-santo José Augusto dos Santos, agiu movido pela ambição do dinheiro e passou dos limites para ter um poder absoluto na magia negra .
O pai-de-santo não pode gostar de nada que seja negativo. Há mistérios que não se pode saber, disse Oliveira. O candomblé é procurado por pessoas mais ricas mas, se não estiver aliado a Deus, o ser humano começa a desejar coisas ruins, como o interesse desmedido pelo dinheiro, a briga pelo poder e o pedido de morte para outras pessoas.
O próprio pai-de-santo preso, em entrevista, admitiu que parte do seu trabalho - mais pesado, segundo ele, com uso de crânios e ossos - não era relacionado ao candomblé. Ele disse que aos sábados consegue conversar com Belzebu, uma representação do demônio com cara de bode e corpo de homem.
Franciso de Oliviera disse que reconhece Santos como um pai-de-santo. Segundo ele, há cerca de 600 terreiros cadastrados no Estado, mas o número real passaria de seis mil. Vamos recadastrar todos e vou procurar pessoalmente todos os pais-de-santo.





