São Paulo, 19 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), voltou a defender hoje a reforma do Poder Judiciário e o controle externo, exercido pela sociedade. Covas evitou manifestar-se sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário e as ressentes críticas do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao hábito do presidente Fernando Henrique Cardoso de dar declarações no exterior.
Na semana passada, na Alemanha, FHC disse que considerava a CPI do Sistema Bancário mais importante do que a do Judiciário. "Não me meto nesta briga, não tenho nada com ela
mas acho que o presidente da República tem o mesmo direito que a Igreja, eu e você de opinar", disse Covas. O governador lembrou que defende a reforma do judiciário desde 1988. "Acho que o Judiciário tem de ter um controle externo porque, bem ou mal, os Poderes Executivo e Legislativo têm uma forma de controle que é o eleitoral, renovado a cada quatro anos, ao contrário do Judiciario, que é vitalício", disse Covas.
Sobre a declaração de Fernando Henrique de que a Igreja Católica não deveria opinar sobre economia, Covas afirmou que ela deve ter sido feita num "contexto mais amplo, o que a torna mais amena". "Acho que a Igreja pode opinar no que acha e deve
ela e qualquer cidadão; a Igreja têm função religiosa e confessional, mas isso não a impede de pensar no ser humano e no que o favorece, e opinar sobre isso, como qualquer cidadão", afirmou Covas.

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