Covas volta a defender Barros na Executiva do PSDB
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 14 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), voltou a defender hoje o nome do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros para a Executiva Nacional do partido. "Se depender do meu voto e do meu trabalho
ele integrará a executiva", disse Covas. Na avaliação do governador, a indicação de Barros seria a solução para as perdas sofridas pelo PSDB nas áreas de articulação política, com as mortes do ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta e do ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), e de formulação de política econômica, com o afastamento dos irmãos José Roberto e Luiz Carlos Mendonça de Barros e de André Lara Rezende. "O governo federal não contava com isso e agora tem de encontrar uma solução."
Para Covas, a participação de Mendonça de Barros na Executiva do PSDB não deixaria o partido na berlinda, como argumentam alguns dos opositores. Mendonça de Barros responde a inquérito na Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência no processo de privatização do sistema telefônico. "Ele sofreu uma grande injustiça", disse Covas, referindo-se ao episódio dos grampos telefônicos que causou a demissão de Mendonça de Barros.
Covas não revelou em quem pretende votar para o cargo de secretário-geral do PSDB. Para a presidência, deve ser mantido o senador Teotônio Vilela Filho (AL). A direção paulista do PSDB trabalha a favor do nome do secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, José Anibal, para a secretaria-geral.
Mendonça de Barros, também cotado para o mesmo cargo, deve ocupar uma das cinco vice-presidências temáticas a serem criadas.
Na opinião de Covas, para evitar essa disputa e reunir os melhores nomes com o objetivo de compor a Executiva Nacional, a estrutura da escolha dos nomes deveria ser alterada. O governador reconhece, no entanto, ter uma posição "utópica" a respeito da questão. "Deviam eleger 11 pessoas, um colegiado e, internamente, seria escolhida a função que cada um exerceria; assim, acabava essa história pela disputa de cargos", disse Covas. Na opinião dele, a manutenção da atual estrutura de escolha prejudica a figura do presidente nacional do partido. "Cabe a ele apurar todas as arestas, ficar com todo o ônus, como ocorre hoje e ocorreu sempre", disse Covas.
Covas viaja hoje, por volta das 15 horas, para Brasília, onde participará da Convenção Nacional do PSDB, a ser aberta hoje. À noite, ele janta com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada, e amanhã (15), discursa na convenção. Covas disse ainda que a viagem para Brasília será feita em avião fretado, alugado pelo partido, que também custeará as despesas de translados e hospedagem na capital federal. Covas viaja acompanhado do vice-governador Geraldo Alckmin Filho, do secretário de Comunicação do Estado, Oswaldo Martins, dos presidentes da Assembléia Legislativa, Vanderlei Macris, e do Diretório Municipal do PSDB, João Camaro, e do líder do governo na Casa, Walter Feldman.


