Covas visita favela e garante que manterá polícia no local até a prisão de traficantes
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Natalie Antar 
São Paulo, 10 (AE) - A polícia só vai desocupar a Favela Paraguai, na zona leste da capital, depois da prisão dos traficantes que ameaçam de morte os moradores do local. A informação foi dada hoje de manhã pelo governador Mário Covas (PSDB), em visita à favela, que está praticamente deserta. "Agora virou questão de honra para os homens que andam fardados
para os policiais civis e todas as secretarias do Estado", afirmou o governador. "A polícia só sairá daqui quando esse tal de Sujeirinha e o tal de Barriguinha forem presos ou resolverem mudar de Estado".
Covas disse também que o Estado oferece às famílias a garantia de que elas podem ficar no local, pois nada de mal lhes acontecerá. "A não ser que eles (os traficantes) também façam alguma coisa com a polícia", afirmou Covas. Questionado sobre a saída de cerca de 90% das pessoas que moravam na favela, o governador argumentou que não pode obrigar ninguém a voltar. "O que posso dizer é quem ficar terá proteção e quem resolver voltar, também". Apesar da prioridade dada por Covas ao caso, até o início da noite a polícia não tinha localizado os líderes do tráfico da Favela Heliópolis, identificados como Lusérgio Soares de Oliveira, o Sujeirinha, e seu principal parceiro, Antônio Miguel Cavalcante, o Tonhão. Os dois seriam os autores das ameaças feitas, desde o dia 25, aos moradores da favela vizinha. O objetivo desses criminosos é desocupar o local para que as pessoas ligadas ao tráfico possam morar e trabalhar lá. Os traficantes de Heliópolis disputam o poder com o chefe do tráfico da Favela Paraguai, Wilson Andrade Souza, o Barriga. Chegada - Covas chegou na Favela Paraguai, às 10h40, acompanhado do vice-governador, Geraldo Alckmin, e do secretário-adjunto da Segurança Pública, Mário Papaterra Limongi. Depois de observar que a maioria dos barracos está vazia, o governador visitou as obras do Centro de Detenção Provisória da Vila Independência, o cadeião da Vila Prudente, que fica num terreno ao lado da favela. "Quando os traficantes forem presos, eles ficarão em uma penitenciária de segurança máxima no interior do Estado", disse.
Ao sair do cadeião, moradores da favela abordaram o governador. Eles pediram segurança e moradia. Covas comprometeu-se a estudar a construção de casas em outro lugar, com a condição de que as pessoas deixem a favela e desmontem seus barracos. "Essa não é a minha obrigação, mas já que foi pedido", afirmou. Segundo ele, o Estado pode fazer um campo de futebol ou algo semelhante se aquela área for desocupada.
O secretário de Comunicação da Prefeitura, Antenor Braido, disse hoje que é obrigação do governo estadual oferecer moradia à população: "Está na Constituição que município, Estado e União devem proporcionar moradia". Na parte do terreno pertencente à Prefeitura, Braido afirmou que há projetos para a construção de áreas de lazer no local. Reforço - A Favela Paraguai, que já estava ocupada pela Polícia Militar, foi tomada por homens do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), na manhã de hoje. Fortemente armados, eles acompanhavam o governador. Havia policial com até três armas, todas semi-automáticas. Esse grupo, porém, acabou indo embora com Covas. No local, ficaram os PMs e seus revólveres calibre 38. Um ou outro tinha uma arma semi-automática.
Para quem ainda está na favela a visita do governador não mudaria a situação do local. "Precisamos de moradia e seguranças e não sabemos até quando os policiais vão ficar aqui", disse a faxineira Sula de Oliveira, de 37 anos. "Não confio em políticos, só em Deus".


