Rio, 14 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) se reunirá na terça-feira (16) com representantes paulistas na Comissão da Reforma Tributária para debater as perdas de recursos do Estado com o projeto de mudança no sistema de impostos -para ele, inevitáveis e estimadas entre R$ 1,6 bilhão e R$ 10 bilhões anuais. Covas disse que São Paulo perderá receitas de qualquer maneira com a proposta de modificação nos tributos, mas poderá aceitar o corte "se for razoável", por causa dos benefícios para a economia e o País. Entre eles, o governador apontou a desoneração da produção e o possível fim da guerra fiscal.
"São Paulo perde com IVA (Imposto sobre Valor Agregado), sem IVA, com ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) federal ou estadual", afirmou o tucano. "Mas, tendo em vista a contrapartida para a economia nacional, a gente acaba concordando; não dá para (São Paulo) perder R$ 10 bilhões, não dá para perder R$ 5 bilhões, mas dá para tentar melhorar." O governador, porém, se recusou a revelar qual é o máximo de perda de receitas que aceitará que o Estado sofra com a reforma tributária. "Se fixo isso, a conta amanhã está feita, e o projeto, terminado."
Covas disse que a reforma tributária "é uma inevitabilidade". "São Paulo pode perder muito ou pouco, meu papel é lutar para que perca o menos possível." O governador disse ser favorável à mudança e lembrou que não se opôs à Lei Kandir, que desonerou do ICMS os produtos de exportação, por considerá-la boa para a economia nacional. "O errado foi a distribuição do retorno, das compensações", disse. O tucano mostrou-se cético quanto à possibilidade de haver compensação satisfatória para São Paulo pelas perdas de receita causadas pela futura mudança no sistema tributário.
O tucano considerou "um convite à valsa" (à polêmica) a proposta de aumentar os salários dos deputados federais que começa a ser discutida informalmente no Congresso. "É um assunto que vocês (jornalistas) adoram, sabe por quê?", perguntou. "Porque quando a gente bate num deputado, está batendo numa instituição; é muito negativo, porque nunca se separa o joio do trigo." Covas afirmou que, em relação ao Legislativo, "nunca se fala que tem gente boa até em maior quantidade que gente ruim" e disse não ver nada demais em que um deputado (cujo salário é de R$ 8 mil brutos) ganhe R$ 10 mil ou R$ 20 mil.
"Talvez se você me perguntar se acho o momento mais adequado (para o aumento), eu responda que não", afirmou. O governador, porém, não quis criticar a proposta, alegando que não havia nenhum parlamentar presente para se defender. "Aí fica muito simpático para mim, mas pouco simpático para os parlamentares." Covas participou, no Riocentro, do 27º Congresso Brasileiro de Urologia, em que deu depoimento sobre a cirurgia de próstata que fez em 1998.
Depoimento - Emocionado e sorridente, o governador deu uma palestra para os cerca de 3 mil participantes do evento, narrando sua doença, cirurgia e recuperação, após o segundo turno das eleições do ano passado. Segundo ele, criou-se na ocasião uma ficção, a de que seria extremamente corajoso. "Nada mais mentiroso: tive medo, muito medo", contou. Covas disse ter tido muita sorte, elogiou o médico Sami Arap, que o operou e o acompanhava hoje, e provocou risos em alguns momentos, como quando disse que os profissionais de medicina usam um "vocabulário diferente". "Quando o médico diz: O senhor vai ficar um pouco desconfortável, pode rezar, porque vai doer para valer", afirmou.

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