São paulo, 27 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), disse hoje que vai assumir diretamente o controle da situação da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem). "Vou colocar a coisa sob meu controle direto", afirmou, após uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. Bastante irritado com as perguntas da imprensa, Covas não informou que mudanças pretende adotar. "Na hora que achar que devo dizer, eu digo". Ele negou que pretenda mudar as atribuições das secretarias. "Não vou tirar o controle de ninguém; o que disse é que vou me envolver diretamente".
Sobre as declarações do secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, de que a situação é de "calamidade pública", do presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o governador reagiu com ironia. "Concordo com todos; sou eu que estou errado", disse, encerrando a entrevista. Encontro - O presidente da Assembléia Legislativa, Vanderlei Macris (PSDB), presente à cerimônia no Palácio, informou que vai se reunir amanhã (28), às 9h30, com Covas e os líderes das bancadas. O encontro no Palácio discutirá propostas para a Febem. Um dos projetos a ser avaliado é o do vice-líder do governo, Milton Flávio (PSDB), que prevê a descentralização da Febem. O pedido de urgência do projeto foi aprovado ontem. "O governador pode colaborar para que votemos rapidamente".
O projeto prevê a internação de infratores em unidades próximas das cidades de origem dos pais ou responsáveis. Outra proposta do vice-líder, também em tramitação por urgência, estipula a concessão pelo Estado de ajuda financeira às famílias de infratores com bom comportamento. A ajuda ocorreria até que o menor completasse 18 anos. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, Renato Simões (PT), apresentou hoje projeto que prevê a extinção da Febem. Ele quer a criação de uma instituição com tendimento baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "A Febem é uma entidade infratora e já está no seu limite".
O deputado Henrique Pacheco (PT) também apresentou proposta que transfere responsabilidades para o município onde reside o infrator. A quinta proposta, de Paulo Teixeira (PT), cria a figura do "aluguel república". O Estado subsidiaria a moradia de egressos da Febem e os beneficiados teriam de arcar com parte dos custos. (Colaborou Alceu Luís Castilho)

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