São Paulo, 7 (AE) - O governo de São Paulo vai pedir ao governo federal que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) libere um empréstimo de R$ 17 milhões para socorrer o grupo Mappin-Mesbla, que enfrenta dificuldades financeiras. Hoje o governador Mário Covas (PSDB), após receber uma comissão formada pelos funcionários do grupo e pelos presidentes dos sindicatos de comerciários de São Paulo e do ABC
comprometeu-se a falar com o presidente Fernando Henrique Cardoso para que ele receba em Brasília representantes da comissão dos trabalhadores.
O governador encarregou o secretário estadual de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Aníbal, de negociar a salvação dos 9 mil empregos diretos das duas redes de lojas. "O governador Mário Covas está bastante preocupado com a situação dos trabalhadores", afirmou o representante da comissão de funcionários do grupo Mappin-Mesbla, Celso Antonio Marquez. Ele disse que o governador prontificou-se a fazer de tudo para que o Mappin não encerre as atividades.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo, Rubens Romano, estuda-se a formação de uma comissão formada pelos funcionários e a equipe encarregada de reestruturar a companhia para gerenciar o uso do dinheiro novo, caso o BNDES aprove o financiamento.
Segundo o deputado federal, Luiz Antonio Medeiros (PFL), que participou do encontro com o governador, uma das atitudes que o governo poderia tomar seria pedir ao Ministério Público para embargar os bens do antigo controlador do Mappin-Mesbla, Ricardo Mansur. E o governador achou essa idéia positiva, disse Medeiros.
Na sexta-feira, Covas conversou com o presidente do BNDES, Pio Borges, sobre a situação das empresas que somam um passivo estimado de R$ 1,120 bilhão, entre dívidas de curto, médio e longo prazos.
Plano - O plano para reerguer a companhia proposto pelo reestruturador, José Paulo Amaral, é obter um "empréstimo-ponte" de R$ 102 milhões, sendo R$ 17 milhões de cada uma das seis empresas (GE Capital, Funcef, Bradesco, BNDES, Centrus e Previ Banco do Brasil DTVM) que detêm R$ 481 milhões de títulos do grupo (debêntures, ações, recebíveis e opções). Com isso, a empresa receberia um fôlego extra para comprar mercadorias e fazer uma auditoria até que encontre um comprador.
O Bradesco e a GE Capital aceitaram a proposta, mas os demais rejeitaram, acompanhando a decisão do BNDES que achou insuficiente as garantias dadas em troca do novo empréstimo, que seriam os pontos-de-venda e as marcas Mappin-Mesbla.
O faturamento do grupo, que em períodos normais chegou a R$ 100 milhões por mês, caiu no mês passado para R$ 30 milhões. "Não estamos vendendo agora quase nada", afirmou Marquez, da comissão de funcionários. Ele contou que os estoques de móveis eletroeletrônicos estão praticamente a zero e a numeração das confecções está desfalcada.

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