São Paulo, 07 (AE) - O governador Mário Covas insinuou hoje que por trás das multas aplicadas pela Receita Federal no Banespa e, ontem, na Nossa Caixa, estaria à disposição desta secretaria de atingir metas firmadas pelo governo federal no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Covas anunciou que vai recorrer na Justiça contra o pagamento da multa de R$ 372 milhões contra a Nossa Caixa. "Eu não conheço os termos do acordo (com o FMI) na intimidade, mas sem dúvida este acordo baliza muita coisa", afirmou Covas. "A secretaria da Receita muitas vezes tem interesse de aumentar sua receita exatamente para atingir metas que foram pré-fixadas (com o FMI)", observou. Mas acrescentou: "eu não fui parte deste acordo, de forma que não sei exatamente, só sei do meu pedaço."
Na entrevista concedida hoje, no Palácio dos Bandeirantes, Covas observou que o cumprimento do acordo do País com FMI tem consequências sobre todos os Estados. "Lógico que está sobrando para São Paulo, mas neste aspecto está sobrando para todo mundo, porque quando se fala em déficit público não significa o déficit da União, mas o déficit de todo mundo." O governador qualificou as multas da Receita como "disparates" , criticou e culpou o governo federal pela multa contra o Banespa.
Ao comentar os cortes anunciados pelo ministro Pedro Malan para compensar as perdas com a contribuição previdenciária
decorrentes das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), Covas observou: "Nesta coisa (dos cortes) eu não culpo o governo, ele tinha uma fonte de recurso, a fonte desapareceu e ele vai ter de arrumar recursos de algum jeito", avaliou.
"Mas culpo o governo na multa do Banespa, tomo o governo como um todo, isso não é assunto do presidente da Repúblcia, não estou culpando o presidente da República, mas sem dúvida a multa do Banespa é um disparate." Mário Covas criticou também o governo federal por obras que estão paradas. "Culpo o governo por não podermos inaugurar o Metrô na zona Leste, falta uma estação, e a contrução da estação é do Ministério dos Transportes, mas ele não fez até hoje", reclamou. Por fim, disse: "Eu não sou propriamente o queridinho da casa."
Mário Covas chegou, em um momento, a referir-se diretamente ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, sem citar, porém, seu nome. "Parece que a tática do secretário da Receita é quando ver que aconteceu um desastre, como aconteceu no caso do Banespa, é repicar em cima para deixar você sempre na defesa." A Nossa Caixa foi multada por causa de tributos referentes ao Fundo de Compensação por Variações Salariais.

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