Covas se compromete a reduzir ICMS de carros
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 27 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, confirmou hoje seu apoio ao projeto de redução de impostos para aumentar as vendas de carros e garantir a manutenção de empregos. Ele se comprometeu a reduzir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por um prazo de três a seis meses. A redução, no entanto, está condicionada à adesão ao projeto do governo federal (que reduziria o IPI) e das montadoras, que precisariam suspender o reajuste de preços anunciado recentemente, entre 1,6% e 11%.
Hoje a proposta será apresentada ao presidente Fernando Henrique Cardoso pelos dirigentes dos sindicatos dos metalúrgicos do ABC e de São Paulo, Luiz Marinho e Paulo Pereira da Silva. No caso do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a proposta é de uma redução de 20% a 50%. A alteração dos dois impostos resultaria em uma queda média de 11% nos preços dos automóveis.
"Mesmo que a medida resulte em queda de arrecadação, a participação do governo é importante porque vai preservar empregos e reativar a economia", afirmou o vice-governador Geraldo Alckmin. Ele acredita, no entanto, que o aumento das vendas pode compensar uma provável redução na arrecadação. O setor automobilístico contribui anualmente com cerca de R$ 2 bilhões em ICMS.
A proposta terá validade até que entre em vigor um outro projeto, o de renovação da frota de veículos com mais de 15 anos, que também está sendo discutida entre trabalhadores, governo, montadoras e revendedores. Segundo cálculos dos sindicalistas, os dois projetos resultariam em um acréscimo na produção deste ano de 500 mil a 600 mil veículos. Eles avaliam que, sem incentivos, a produção não passará de 1,1 milhão de unidades, 30% a menos do que no ano passado.
O projeto também estará condicionado ao compromisso das montadoras de manter o nível de emprego. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, concordou em discutir esse assunto, mas não se posicionou em relação à suspensão do aumento dos preços dos carros.
A Ford, que já anunciou não estar disposta a rever o reajuste de até 11% em seus veículos e nem a demissão de 2,8 mil trabalhadores pode ficar de fora do acordo. Alckmin afirmou, contudo, que o esforço não pode ser só do governo, mas de todos, e disse esperar que "os reajustes sejam revistos por todas as empresas." Hoje sindicalistas e demitidos da Ford de São Bernardo fizeram uma ocupação simbólica do depósito de embalagens de peças da montadora, no município de Jandira, na divisa com Osasco, para protestar contra as 2,8 mil demissões.


