São Vicente, SP, 21 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), recusou hoje a proposta apresentada ontem (20) pelo prefeito da capital, Celso Pitta (PTN), de tentar um acordo com o governo estadual para conseguir participação na tarifa ou no lucro que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) obtém com os serviços prestados na cidade. "Não tenho nem uma razão para oferecer participação na tarifa ou no lucro para ele, já que a prefeitura nunca participou dos investimentos da empresa", disse o governador, ao presidir um encontro com os nove prefeitos da Baixada Santista (SP), em São Vicente, que, desde a noite de ontem, é a capital temporária do Estado, na primeira festividade do 5.º Centenário do Descobrimento do Brasil em São Paulo.
A idéia inicial do prefeito paulistano era transferir para a iniciativa privada os serviços atualmente explorados pela Sabesp. Entretanto, Pitta recuou, defendendo um acordo entre a administração municipal e o governo do Estado.
Segundo Covas, de todos os municípios que compõem a Região Metropolitana paulista, São Paulo foi o único que não precisou assinar contrato com a Sabesp. "Agora, é preciso deixar bem claro que a água que se bebe hoje na capital está sendo armazenada em Mairiporã (SP); o que vamos fazer quando o município vizinho não quiser mais executar esse serviço?", indagou. O governador disse que a Constituição de São Paulo determina que os serviços de saneamento só podem ser explorados por empresa de capital estatal. "Para mudar essa relação, primeiro, teríamos de mudar a Constituição do Estado", completou. Covas destacou que a prefeitura paulistana deve perto de R$ 100 milhões para a concessionária de água e esgoto, dívida que está sendo cobrada na Justiça. Ele afirmou que, se hoje a Sabesp é considerada uma das cinco melhores empresas públicas do País, o mérito foi inteiramente da companhia. "No primeiro balanço do meu governo, a empresa apresentou um prejuízo de R$ 352 milhões, situação que mudou inteiramente no ano seguinte, com R$ 200 milhões de lucro e, no final de 98, nada menos que um lucro de R$ 532 milhões", revelou.
Toda essa mudança, de acordo com o governador, deu-se em meio a uma série de dificuldades, como a captação de dinheiro somente no exterior, uma vez que nenhuma instituição financeira do Brasil liberou recursos para a Sabesp, que foi obrigada a paralisar uma série de obras, enquanto não equilibrasse a situação. Covas também criticou a proposta do prefeito de Santos (SP), Beto Mansur (PPB), de privatização dos serviços de água e esgoto na cidade.
"Participei, como engenheiro da prefeitura de Santos, em 1956, da negociação para que o governo do Estado assumisse o serviço; e, se hoje Santos não enfrenta problema de abastecimento, é porque o Estado financiou as obras, já que a administração não tinha condições para isso", concluiu.

mockup