Covas rebate crítica de Pitta e cobra União
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quinta-feira, 06 de janeiro de 2000
Por Fred Ferreira 
(Colaborou José Gonçalves Neto)
São Paulo, 6 (AE) - O governador Mário Covas (PSDB) garantiu ontem (5) que seu governo já investiu mais de R$ 500 milhões no combate às enchentes, especialmente na capital, "quase dobrando a antiga capacidade de vazão". Ele desdenhou das críticas do prefeito Celso Pitta (PTN) sobre a paralisação das obras de aprofundamento da calha do Rio Tietê e reclamou que as verbas prometidas pela União para a prevenção de cheias no Vale do Ribeira não chegaram ao Estado.
Covas participou de uma reunião com engenheiros e fez vistorias em obras no Tietê em Osasco. "Estamos fazendo piscinões enormes, é o jeito", disse. "O que vocês queriam que acontecesse em uma cidade onde 80% do espaço urbano foi ocupado de forma irregular?"
O governador garantiu que até março dois terços das intervenções previstas para o Tietê estarão concluídas. "É inconcebível o prefeito dizer que as obras estão paradas", afirmou, referindo-se a declarações feitas anteontem por Pitta.
O projeto do Estado para o Tietê prevê o aprofundamento médio de 2,5 metros da calha, em um trecho de 16 quilômetros - do Cebolão até a Ponte da Penha. O investimento previsto é de cerca de R$ 180 milhões. O governo japonês está financiando 75% do projeto e o Estado entra com 25%.
Covas criticou a demora da União em repassar R$ 2,7 milhões prometidos no ano passado para o Vale do Ribeira. "Ainda não liberaram a verba", reclamou, isentando o presidente Fernando Henrique Cardoso de responsabilidade. "Tenho certeza de que ele mandou alguém mandar, mas o que ele anunciou ainda não veio."
Bate-boca - O secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado, Antônio Carlos Mendes Thame, também rebateu as críticas de Pitta, apontando a corrupção como uma das causas de enchente na capital. "A corrupção e a falta de fiscalização no lixo acabam tendo impacto negativo na vida da população", afirmou. "O prefeito mente de forma descarada, ele tem participado de nossas reuniões e sabe que as obras (no Tietê) estão sendo feitas dentro do calendário."
"Quem mente é o secretário, porque na cidade não há mesmo nenhuma obra no Rio Tietê", rebateu Pitta, por meio do seu coordenador de Comunicação Social, Antenor Braido. Para a Prefeitura, as dragas de limpeza usadas pelo Estado no Tietê são "inócuas", porque o lixo, deixado na margem, é empurrado de volta para o leito do rio pelas chuvas.


